A maré arrastou a onda por longos metros. A extensão do ciclone transformou a paisagem marítima. Assustador. A ressaca chegava e amedrontava. Acompanhada por um vento de mais de 100 quilômetros. Tudo voava. Tudo era revirado. Até a onda. Que num balanço apocalíptico afugentava qualquer ser vivo que por ali andasse.E nesta agitação fazia a água salgada diluir-se numa grossa maré de espuma branca.
Uma moradora do lugar, muito destemida, enfrentou aquele dia. Insistia em buscar na praia a contemplação. Mas o temporal chegou de surpresa. No local, nada descontraía. Talvez ela estivesse naqueles dias. E sua incomôda TPM a empurrasse até a praia. Parecia não ter medo de nada. Tão pouco de morrer afogada. De pé, olhando a onda, teve sim, a certeza de que a natureza é indomável .Que aquela chuva era quase um dilúvio. Grossos pingos de água batiam em seu corpo com fúria.
Ao longe, pescadores faziam força para não ver seus apetrechos de pesca serem arremessados pela ventania. Equipes de televisão chegavam para filmar o ciclone. Que já era mais que uma catástrofe. Transformara-se em manchete nos telejornais. A mulher moradora daquela praia tinha uma pequena casa verde. Viu as trancas das janelas sendo destruídas.Sem nada poder fazer. O vento uivava. Como lobo.E ela agora, preocupava-se.
Se a casa viesse abaixo, onde iria morar?Seus parentes viviam muito longe. E ela,a muitos anos não tinha contato com a família. Mas ciclones tem um ápice. Alguns minutos de extrema velocidade e destruição. Depois a calmaria. Dizem os pescadores do lugar, que o mar tem o poder de puxar os ventos para dentro. Exatamente assim que aconteceu. Quinze minutos de devastação .Depois, silêncio paralisante.Nada de sons. Nenhuma voz humana.
A casa estava de pé. Embora as janelas estivessem abalroadas. Dona Maria, tão corajosa, ajoelhou-se para rezar. Agradecendo à Santa Bárbara, a senhora dos ventos, a salvação da sua casa. De volta à praia, olhou o mar. Que agora,na praia, transformara-se num gigantesco caldo branco. Tal volume de agitação de espuma! Tal imensidão! Tal mutação climática!




