Alice Chala | Sem saber o porquê, fui mesmo assim

Eu corria, e ao chegar cada vez mais longe, pensava em todas as coisas que eu não poderia mudar. As crescentes devastações climáticas, a perda de pessoas queridas, as falhas passadas, os arrependimentos a despeito de ter falado demais, ou de menos… 

E ao mesmo tempo, olhava de dentro para fora, a fim de vislumbrar e tatear o que me cabia naquele momento. O presente, o agora. Estava eu, vestida em meu corpo exultante e cheio de saúde, um corpo disposto e inexoravelmente absorto em incertezas. Das mais profundas às mais superficiais, do medo da morte, ao medo de não conseguir um horário no dentista na semana que vem. 

Nos momentos difíceis de respirar, de manter-me em pé, de esforço extremo, pensava em coisas boas para continuar, mas não somente, pensava também nos obstáculos que vivemos todos os dias. E no quanto é complexo para todos nós, o ato de estar e ser. É custoso ser constante. Mesmo nas frivolidades, somos testados, instigados a desistir. O cérebro ama o conforto da desistência, mas pune com culpa logo depois. E a vida faz da gente o que ela quer. Todo mundo sabe disso.

Mas, persistimos. Por que? Cada um tem o seu motivo e a maioria de nós, sequer sabe o seu… Mas continuamos, e continuar é lindo. Não finda a nossa garra de ir, ir mais distante. Sempre digo aos amigos queridos, que o importante é movimentar, o pensamento, o corpo. Se colocar. Às vezes a gente nem sabe exatamente para o quê, e fica triste ou cansado só de pensar em pôr uma “roupa de ir”. No entanto, quase sempre acabamos saindo em direção à essa vida, aquela da qual falei no início do texto, que faz da gente o que ela quer e que mesmo assim, a gente segue vivendo.

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