Procurei entre os móveis que coloquei para fora, num impulso de te achar ali, intacto, da forma que deixei. Num intento, corri para fora, procurei no chão pegadas, o café morno, o chá ainda em cima da mesa da cozinha. Não é engraçado? Tudo muda tão rápido o tempo todo. Eu não percebi. Mas já estava indo, sempre estive.
Quando acordei essa manhã, me olhei no espelho, enxerguei histórias que jamais imaginei que seriam minhas. E hoje são. Belíssimas, preciosidades em minhas mãos. O que farei com tantas reticências? As que joguei para debaixo do tapete, as novas que batem à porta...
Liguei ontem, era tarde, para dizer que às vezes as coisas são demasiado complicadas, e o que ouvi de ti foi uma repressão leviana dos meus lamentos. Três da tarde do sábado passado, questionei minha vida inteira e não encontrei respostas. E hoje, quis um novo roteiro, mas não quis escrevê-lo.
Os dias transformam-se através de cada pessoa nova que passa por nosso olhar, e que dirá aqueles que amamos… Ah, esses sempre terão algo de nós que será difícil compreender ainda nessa vida.
Duas da tarde de hoje, abri um livro, Hilda Hilst, e o verso era este:
Irreconhecível
Me procuro lenta
Nos teus escuros.
Como te chamas, breu?
Tempo.





