Falei sobre solitude e solidão e recebi um comentário que gostaria de compartilhar: “Enfrentar a solidão é entender a solitude, pois a nossa busca está em encontrar a melhor forma de conviver com nossas condições de seres limitados e assim vencermos o próprio ego e entendermos que fazemos parte de um todo”.
Ao ler este comentário remeti o meu pensamento diretamente para o universo das abstrações e de imediato entendi que fico demasiado tempo me preocupando com coisas menores e me deixando levar por pensamentos confusos e repetitivos, aqueles que direcionam minhas ações e me fazem perder o rumo da criação e da ampliação de minha consciência.
Reviso diariamente meus atos, tento neles identificar o de mais produtivo e volto a cometer o erro de me enredar em uma confusão de sentimentos ambíguos e menores, onde a mágoa e o ressentimento insistem em buscar espaço, alimentados por minhas culpas e recriminações, assim sendo volto ao ponto de partida e descubro que preciso encontrar novas maneiras de construir os meus próprios sentimentos e banir as ambiguidades dos sentimentos menores que são alimentados por mim mesmo, já que não me desprendo deles.
Antônio Maria (um dos maiores cronistas do Brasil) escreveu certa vez: “Eu que não principio nem acabo, nasci do amor que há entre Deus e o Diabo, por isso não venha me dizer o caminho, apenas não sei por aonde vou, não sei com quem vou, não sei como vou, mas, sei que não vou por aqui”. Mesmo difícil de entender é simples perceber que temos de ter claro o sentimento de que nossa vontade deve presidir as ações e os pensamentos devem fluir com naturalidade, sabendo que não podemos ir pelo espaço da mágoa e da desesperança, mesmo que não saibamos ainda como e por onde devemos ir. É necessário ampliar a consciência e amplificar a capacidade de percepção.




