Ana D`Avila | O destemido

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IMAGEM: Arquivo pessoal/Reprodução

Ele era um homem instigante. Fazia das mulheres que amou o que queria. Fui sua cúmplice, sua colega de redação e muito loucamente, sua confidente por 43 anos de união. Me segredava quase tudo. Indo às vezes, até a exaustão. Em madrugadas de muitos “papos cabeça”.

Não acreditava na perfeição humana. “Toda pessoa, indistintamente, um dia vai te magoar”, frisava.

Casou cedo e, como bom bagual, reproduziu. Na meia-idade e, comigo, reproduziu também. Uma menina. Uma guriazinha morena com sangue português castiço de sua descendência de Santo Tirso, Portugal.

Queria que ele fosse eterno. Ou que durasse cem anos ao meu lado. Deus o chamou no último dia 3 de setembro. Aos meus olhos derramando grossas lágrimas, e na autenticidade de seus 87 anos. Ele se foi.

Ele era um jornalista desbravador, furungador, destemido e único. Foi o único jornalista a pousar de helicóptero no porta-aviões Minas Gerais da Operação Unitas, nos anos 60. Foi ao Xingu entrevistar os índios da tribo dos Kamaiuras. Boêmio, namorou atrizes e poetisas. E curtiu muitas amizades na área da política.

Na velhice, muito arredio, manteve um amor fiel ao seu cibernético Tablet, no qual montou uma extensa biblioteca digital. Lia em espanhol. E descobria autores. Assim passava os dias.
Como deste mundo nada se leva, deixou o tablet enfiado na bolsa de sua poltrona preferida. E se foi.

Seu semblante era de paz. Por conhecê-lo bem, sei que deve agora estar estudando as dimensões, descobrindo novas galáxias, se inteirando do futuro.

 Adeus, Nei Fonseca. Creia que jamais te esquecerei. Foi debruçada em sua cama de hospital que me despedi de ti, caro e amado aventureiro do jornalismo. E ali, em sua quase partida, ainda conversamos, sobre as ilusões da mente.

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