Ana D`Avila | Tempo de aflição

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A época exigia de todos muita compreensão. E força, para entender o flagelo de uma humanidade que dia a dia estava corroída pela violência, poluição e desumanidade. Não precisaria do pessimismo de Schopenhauer para entender o caos. Nem os sofridos versos do poeta louco. Tudo acontecia ao alcance de todos.

Aos olhos daquele médico que unia ciência e espiritualidade, era um momento de aflição generalizado. Ninguém escapava. Nem o pobre, nem o rico. Nem o feio nem o bonito. Nem o mais intelectualizado homem, nem o mais alienado. Todos navegavam no mesmo barco. E teriam que sofrer.

Teriam esta aflição dentro de si.

A previsão apontava para bancarrotas financeiras, doenças e negatividades. Isto estava sendo documentado em todos os jornais do mundo. Era o que acontecia. Na cidade de Nova Iorque, o renomado físico e astrônomo Marcelo Gleiser recebeu o Prêmio Templeton de 2019. A premiação, criada em 1972, é considerada como o “Oscar da espiritualidade” e é dada a personalidades que contribuíram para afirmar a dimensão espiritual da vida, já tendo sido concedido a nomes como Madre Teresa de Calcutá (1973) e Dalai Lama (2012). Gleiser foi o primeiro latino-americano a ganhar a premiação, que rendeu para ele nada mais, nada menos que 1,1 milhão de libras esterlinas – o equivalente a R$ 5,5 milhões.

Marcelo, nascido em 19 de março de 1959, é formado em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), tornou-se mestre em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1982 e obteve o doutorado em Cosmologia no King’s College London, na Inglaterra, em 1986. Fez estágio de pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e no Fermilab (Fermi National Accelerator Laboratory) – um dos mais importantes laboratórios de Física de Partículas do mundo –, ambos nos Estados Unidos.

Hoje Gleiser é professor de Física e Astronomia no Dartmouth College (EUA) e ganhou reconhecimento internacional por meio de seus livros, artigos, blogs, documentários e conferências em que apresenta a ciência como uma ferramenta que ajuda a entender as origens do Universo e da vida.

E as reflexões vão muito além do que pode ser respondido com “42”, como na série de livros “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams. Por mais de 35 anos, o brasileiro examinou uma série de tópicos, que vão desde o comportamento de campos quânticos até a cosmologia do universo. Suas teorias já contam com mais de 100 artigos revisados e publicados.

Para o cientista brasileiro, a Ciência é o “engajamento com o mistério” e é primordial para entender a condição da humanidade. Seus trabalhos defendem que a Ciência moderna trouxe a humanidade de volta ao “centro” da criação – o que ele chama de “humanocentrismo”. Ou seja, quanto mais nós conhecemos o Universo, mais podemos entender a raridade que é ser humano. E principalmente em suas aflições que gravitam em toda humanidade.

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