Ana D`Avila | A desaparecida

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Foi assim, sem mais nem menos, que ela desapareceu. Carioca da gema, poetisa, escritora e entrevistadora… sumiu. Não houve jeito de localizá-la. Nem fazendo uma “live” no Facebook, nem ligando para o seu celular. Nem postando uma foto chorosa no Instagram anexando um “emoticon” de florzinha. Ela sumiu.

Tão bonitinha, tão intelectual, tão insubordinada, tão moderninha, tão drogadita de sonhos e pulsações humanas… se foi. Viajada, amada, cheia de méritos na vida e de amigos importantes da classe cultural.

Amava, como eu, a literatura. Mas depois de Jorge Amado, Clarice Lispector e do poeta Paulo Leminski, que outro ser-literatura encabeçaria o primeiro time de escritores brasileiros? Seria ela? Ah…nossa Língua Portuguesa! Ah…nossos escritores!

No lançamento de seus livros, algumas vezes, amigos recebiam também um desenho – do próprio punho. Gostava de literatura e também de desenhar.

Mas o fato é que a desaparecida não se manifestava. Seu último “post” na rede social noticiava participação numa palestra em Santa Catarina. Teria ido à Joaquina, depois de intercambiar com as mentes literatas catarinenses? Sei não! 

Ela era instigante, estilosa e imprevisível. Quem sabe teria caído na praia? Se afogado no verde mar de Florianópolis? Ou teria abandonado definitivamente a rede social, na qual todo ser humano moderno se enreda?

Sua página oficial, agora, ampliava-se com dezenas de perfis falsos. Será que a página verdadeira foi invadida por algum “hacker”? Suas fotos estavam lá, mas não era ela a autora das postagens. Algumas fotos, com homens bonitos e mulheres interessantes em saraus e festas, também desapareceram. Onde estaria?
Seus vídeos com voz bem pausada e português correto sumiram. Seu sotaque entrecortado de chiados não foi mais ouvidos. Nem suas inquietações.

O “post” mais significativo foi de uma receita de remédio. Numa cópia enorme, descomunal. Nos diálogos escritos, agora, afirmava sofrer de asma e doenças pulmonares desde criança. E dizia que, segundo sua médica, aquele era o remédio certo, pois aliviava suas dores físicas.

Doce garota carioca, que Deus sempre te proteja. Desaparecida ou redescoberta, que reapareças. E que Santa Teresinha, sua santa protetora, te guarde e te console, seja qual for o motivo do teu desaparecimento neste período tão violento da vida brasileira, e onde pessoas sensíveis fazem tanta falta.

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