Moisés Mendes | Mas a voz continua a mesma

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IMAGEM: Reprodução/Redes Sociais

É comovente o esforço de Sergio Moro para tentar engrossar a voz e assumir o personagem de pré-candidato a alguma coisa em 2022. Moro quer se livrar dos falsetes que depreciaram sua imagem de juiz implacável.

Mas será preciso mais do que uma nova voz para ir em frente. Se fossem servidores comuns, sem as prerrogativas especiais de justiceiros designados para caçadas sob encomenda, Moro e Deltan Dallagnol teriam sofrido punições administrativas e disciplinares sérias.

Não só advertências e puxões de orelha protocolares, mas punição mesmo. Mas os dois estão aí, agora como ex-servidores, esforçando-se civicamente para construir carreiras políticas.

Serão punidos depois que deram o serviço por encerrado? É provável que não aconteça nada.

O Brasil não se sobressaltou quando Sergio Moro abandonou a magistratura e foi trabalhar para Bolsonaro. Pesquisas no Google nos relembram que intensos debates normalizaram sua decisão.

O caçador de Lula foi trabalhar para o inimigo de Lula e o que tivemos foram manifestações de desconforto de alguns liberais. Só as esquerdas espernearam, mas as esquerdas são muito choronas.

Agora, também é visto com naturalidade que Sergio Moro tente mudar o tom de voz e o topete para se apresentar como pré-candidato a presidente. E atacando o PT que ele caçou como juiz.

O Brasil vê como normal que o sujeito escalado para condenar Lula dispute agora a preferência da direita e da extrema direita para enfrentar Lula. E que passe a atacar Lula, agora como seu adversário.

O cara era juiz há apenas três anos. Em três anos, ele foi ex-juiz, ex-ministro da Justiça, ex-futuro ministro do Supremo e ex-consultor.

Daqui a pouco pode ser ex-candidato a presidente para ser candidato a senador ou deputado. Se desistir, em três anos Moro terá sido ex de alguma coisa por cinco vezes.

Na entrevista a Pedro Bial, ele disse, em tom de pregador de moral rasa, que pretende ajudar a reformar a política. Como juiz, só ajudou a deformar a Justiça.

Como juiz, Sergio Moro cometeu uma sequência de delitos que, na política, poderiam resultar na sua cassação. Moro sugere que pode não ser em Brasília o que foi na magistratura.

E ele foi, segundo colegas e juristas, não só um juiz parcial e político. Segundo Gilmar Mendes, Moro foi um juiz medíocre. Resumindo, foi arbitrário, porque empoderado para encarcerar Lula, e raso e simplório.

Moro é o medíocre convencido pela soberba de que pode ir em frente, mesmo que não saiba direito o que isso significa. O topete tem outra versão, mas a voz continua a mesma. Moro não é ainda um ex-cara de pau.

 

Texto publicado originalmente no blog do Moisés Mendes:

https://www.blogdomoisesmendes.com.br/mas-a-voz-continua-a-mesma/

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