Segunda, 28 de SETEMBRO de 2020

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Povos Tradicionais de Matriz Africana

por Babá Phil | Publicada em 11/12/2019 às 15h10| Atualizada em 09/01/2020 às 14h50

Ao se falar em cultura ou herança preta ou negra, o que surge primeiro no imaginário popular é samba, capoeira e na sua religiosidade tradicional como um todo, com suas batucadas e festas que viram noites e mais noites.

Mas os povos negros são só isso?

Os "pretos" do Brasil são descendentes de grandes reinos pouco conhecidos por serem parcamente apresentados para população geral. Sim, descendentes de reinos e reinados; o que a história conta, contudo, e que todos sabem é apenas quais foram os povos EUROPEUS que imigraram para o país, cercados de benefícios e privilégios, os quais foram deliberadamente negados aos escravos então libertos. E isso é algo que é omitido e que deveria ser contado nas escolas, muito menos para meramente conhecer o passado negro, mas para não repetirmos os erros de outrora, pois esse é o fundamento de se estudar a história do mundo.

Além disso, muito da nossa cultura advém desses povos, que não são considerados, mas são de fato muito ricos. Você sabia, por exemplo, que apesar do nosso idioma ser o português e ter influência predominantemente greco-latina, muitas palavras do nosso dicionário se originam na linguagem Africana? É demais para ser ignorado, haja vista a contribuição de tais povos para construção do país, algo que não se resume simplesmente ao holocausto da escravidão. São povos que contribuíram historicamente para sermos o que somos hoje.

Dos mais de 10 MILHÕES de escravos que vieram para as américas no período escravagista, destaco 3 povos que vieram em maior quantidade nos dados períodos:

No sec. XVI foram trazidos povos provenientes da região de Angola, os Bantos, que trouxeram suas divindades, os Nkisse, e seu idioma. Esse foi o primeiro povo a vir para o Brasil como escravos e também foram os que vieram em maior número.

Já no sec. XVII além dos Bantos, vieram os povos do Dahomey( Daomé), os Fons ou Jejes como ficaram conhecidos, trazendo consigo suas divindades, os Voduns, e sua rica cultura. A história conta que entre os escravizados estavam príncipes e princesas e que foram responsável por ajudar seu povo a preservar uma fagulha de sua cultura.

Os últimos a ser traficados, no Séc. XVIII, foram os yorubas da região da Nigéria e, como os anteriores, trouxeram suas divindades, as quais vieram a se tornar as mais populares na nova terra além-mar: os Orixás.

Todos esses povos tinham coisas em comum no período escravocrata: sua cultura peculiar aos olhos eurocentrados, só podendo se apegar a algo intangível, que de muitos nem os grilhões nem a chibata puderam tirar. Sua fé permaneceu viva para resistir a um dos crimes mais bárbaros da história do mundo e que deixa marcas até hoje.

Junto com sua fé, mantiveram o que ela fornecia, como história e uma rica gastronomia, viva até hoje nos terreiros que ajudaram a construir comunidades durante muito tempo e que até hoje é o pouco que alimenta famílias inteiras. A cultura dos povos negros segue viva com seu conhecimento transmitido sempre do mais velho ao mais novo através da oralidade, método herdado da matriz africana.

Portanto, somos muito mais que descendentes de escravos, somos descendentes de reis e rainhas africanos que deixaram seu legado de trabalho e luta, o que mantemos até hoje através dos seus descendentes.

Nossos ancestrais não se acomodaram e nós não nos acomodaremos; como eles foram a luta antes, nós também VAMOS A LUTA.

 

Axé

Cristiano Abreu

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