Sexta-feira, 10 de JULHO de 2020

Publicidade

Publicidade

Facebook

Crise da Saúde

Reprodução do documento enviado pela terceirizada à Prefeitura

Empresa que faz gestão da UPA cobra da Prefeitura três meses de pagamentos em atraso; O caos das terceirizadas

por Cristiano Abreu | Publicada em 27/05/2020 às 00h| Atualizada em 29/05/2020 às 11h40

Sempre que escuto o discurso moralista sobre a hipotética competência superior da iniciativa privada em detrimento do Estado, tenho urticária. Ambas estruturas são constituídas de homens e mulheres, nem melhores, nem piores na comparação entre uns e outros. Apenas simples e falhos mortais movidos por interesses muitas vezes questionáveis.

Não passa de falácia atribuir a corrupção, ou a incompetência, unicamente ao gestor público brasileiro. Não há corruptível sem o corruptor. Escândalos recentes mostram o papel central de construtoras comandadas por nobres e ilibadas famílias nos desvios. Se antes eram empreiteiros e até dono de frigorífico, agora, o Palácio do Planalto anda cercado de empresários preocupados em mudar o país - alguns deles, inclusive, acordaram hoje (27) com a Polícia Federal batendo à porta. A influência das farmacêuticas e outras da Saúde, que estão com trânsito livre em Brasília, também é exemplo e merecerá atenção no futuro. Não é só no Rio de Janeiro, o Ministério da Saúde andou comprando respiradores com valores "estranhos", sem falar nessa loucura toda para enfiar coloroquina em todo mundo logo após o primeiro espirro.

Voltando o foco para a competência em fazer gestão, minha coceira aumenta quando vejo o que acontece na Saúde de Viamão. O ex-secretário José Ricardo Agliardi criticou o elevado nível de terceirização que encontrou - acima de 80%, e o atual, Glazileu Aragonês, revelou que são apenas 312 concursados da Saúde contra 872 terceirizados que prestam serviços à pasta. É Coletar, Lagos, Mahatma, uma sopa de letrinhas que deixa trabalhadores sem receber e o povo carente do atendimento necessário.

Pois esse caldo ganhou mais uma sigla nesta semana: IBDAH.

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Administração Hospitalar (IBDAH), empresa da Bahia que faz a gestão da UPA de Viamão, cobra da Prefeitura pagamentos referentes a fevereiro, março e abril. Em ofício assinado pelo diretor de controladoria da empresa Benedito Novaes, a terceirizada solicita a normalização dos repasses para honrar os salários dos trabalhadores. A dívida acumulada no período é de R$ 1.342.328,05, Contudo, no domingo vira o mês, e a conta aumenta em mais R$ 1.199.109,35.

Fato, até o momento, é que a população pode ficar sem os serviços da UPA, assim como aconteceu no caso da higienização, ou do atendimento nas Unidades Básicas e Saúde mensal. Os motivos são diversos, mas o resultado é o mesmo: o povo prejudicado.

 

Reprodução do documento enviado pela terceirizada à Prefeitura

 

É um histórico que comprova que terceirizar não tem sido vantajoso ao município. E está causando mais problemas que solução. Não é o caso da IBDAH, até que se prove contrário, mas a Coletar está no centro da suspeita de esquema de corrupção na Prefeitura, a prestação de contas da Mahatma é alvo de CPI na Câmara e também demanda trabalho a Ministério Público e Tribunal de Contas.

Mas isso é assunto para outra coluna.

 

O que dizem Prefeitura e empresa

 

O Díário de Viamão pediu informações à Prefeitura, que não retornou até a publicação da coluna. A assessoria do IBDAH também não se manifestou até o momento. 

 

Cristiano Abreu

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9962 3023
[email protected]

Rafael Martinelli

Editor
[email protected]

Roberto Gomes

Diretor
[email protected]

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS