Segunda, 21 de SETEMBRO de 2020

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Crônica

Coluna do Gustavo: Sou homem, branco, hétero

por Gustavo de Assis Guedes | Publicada em 04/06/2020 às 00h| Atualizada em 09/06/2020 às 11h51

Sou homem, sou branco e sou hétero. E com muito orgulho. Da mesma forma que seria caso fosse mulher, negro ou gay. Ou não? Será que o fato de sofrer discriminação pelo gênero, cor da pele ou opção sexual me tornaria mais orgulhoso? Não sei. Eu nunca saberei. Não tenho como saber porque em toda minha vida, jamais fui discriminado. Portanto, não imagino haver outro assunto no qual eu tenha menos lugar de fala do que este.

Mesmo assim, tenho minha opinião, na qual eu pensei bastante antes de decidir expor pelo medo de ser mal interpretado. A própria escolha do título desta crônica me fez considerar a grande possibilidade de alguém ler só ele e não o resto do texto e me julgar. Mas decidi mantê-lo porque quem lê só o título, julga o livro só pela capa, e isso é preconceito. E pelo preconceituoso prefiro não ser lido mesmo.

Aliás, minha preferência maior seria que nem fizesse parte da nossa sociedade quem age de forma preconceituosa, pelo simples fato de discriminar alguém ser um ato contraditório ao convívio social. Para que possamos começar a considerar nossa existência em coletivo, alguns direitos básicos e indispensáveis devem ser respeitados. Não sofrer preconceito é direito de todos. Não ser discriminado é tão fundamental quanto ser livre. Mais que isso até. Por esta razão, passeatas ocorrem e bandeiras são levantadas.

Fico muito surpreso quando alguém considera o pedido de igualdade de tratamento não passar de vitimização. Se um direito tão fundamental é desrespeitado, deve ser exigido. E para os que consideram algumas manifestações exageradas, afirmo que seria impossível atitudes desmedidas não acontecerem na defesa de uma causa. Quando há injustiça, exageros podem mesmo ser condenados? Não é razoável esperarmos os injustiçados agirem de forma comedida até a justiça ser feita. Para reestabelecer o equilíbrio na balança social, atitudes que homens, brancos, héteros julgam razoáveis, são lentas demais para quem sofre qualquer tipo de discriminação. Os oprimidos serão mais enfáticos.

Na minha privilegiadíssima posição de quem jamais sentiu na pele qualquer ato discriminatório, sei que esta reflexão de nada adiantará para mudar comportamentos, mas esta é a minha manifestação. Partindo do princípio que existem camadas para uma revolução, tento cumprir o que considero ser o meu papel. Enquanto muitos postam nas redes sociais, outros protestam nas ruas. Alguns doam silenciosamente e poucos buscam se educar e têm conversas duras com amigos e familiares. Como eu disse, existem muitas camadas. Independente de qual esteja, "você descobrirá que não é a primeira pessoa que ficou confusa, assustada e até enojada pelo comportamento humano." - J.D. Salinger.

Atue no grau que considerar adequado, sempre disseminando a ideia de que o preconceito, pelo motivo que for, é um atentado. Todos temos o direito de receber tratamento de forma igual ao próximo. Não ser discriminado é um direito superior a muitos outros. É fundamental. No mesmo patamar da liberdade e da vida. O direito de não ser discriminado é o direito de estar vivo, livre. É o direito de respirar.

Cristiano Abreu

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