Segunda, 13 de JULHO de 2020

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Cristiano Abreu

Prefeitura recorrerá da classificação de bandeira vermelha; Falta a Russinho empatia com as vítimas da COVID-19

por Cristiano Abreu | Publicada em 20/06/2020 às 00h| Atualizada em 24/06/2020 às 23h40

Neste sábado (20), enquanto o governador do Estado anunciava a bandeira vermelha que aperta as regras do distanciamento social em Viamão, o prefeito em exercício pensava unicamente nas eleições. No momento em que Eduardo Leite agia para tentar evitar o colapso das UTIs da Região Metropolitana, Russinho preparava a defesa de seu nome como candidato a prefeito em um pleito que ninguém tem certeza que ocorrerá neste ano, vejam só, por causa da pandemia.

Enquanto o prefeito interino de uma cidade onde as infecções cresceram 186%, e as mortes por COVID-19 aumentaram 300% em junho participava de um encontro fechado com líderes de partidos da base em um restort de luxo... no exato instante em que 13 moradores da cidade estão em uma cama de hospital lutando pela vida e outros 101 estão isolados em suas casas buscando a cura, os assessores diretos discutiam como farão para contestar os números e manter o comércio aberto.

A anacronia da pior semana do coronavírus em Viamão é tamanha, que o prefeito de Porto Alegre está cobrando publicamente ações dos gestores de Viamão para frear o aumento do contágio. E segundo fontes do gabinete interino local, Nelson Marchezan Júnior passou os últimos cinco dias tentando marcar uma reunião com Russinho, que mandou dizer que "não tem espaço na agenda". Na semana em que foram notificados 51 casos e três vidas tiveram fim, Russinho, que não tem tempo para falar da Saúde, recebeu, mais de uma vez, os representantes do Comércio e da Indústria. E fez duas reuniões políticas para discutir sua candidatura.

Os "covidiotas", expressão cunhada pela Rafael Martinelli para se referir aos negacionistas da pandemia, atacam a Imprensa, fazem pouco caso das cobranças feitas pelo Ministério Público ao prefeito interino e desdenham das mortes. "São só 12", e "estão torcendo para o pior" são as frases mais repetidas na internet nesta semana por quem não se importa com a dor alheia. Esses não torcem, eles jogam contra, aglomerando-se, espalhando ódio gratuito, notícia falsa e o vírus. Não há que se discutir quantidades ou percentuais Não são números, são pessoas, identidades agora apagadas, rostos que desapareceram - e tantos outros que ficam chorando. 

Russinho não é um "covidiota", mas sua falta de ação chega ao povo como um recado claro de falta de empatia - e então ele se porta como tal. Repito: não lembro de ter recebido ou lido em qualquer tipo de mídia (nem mesmo no zap-zap da família) uma palavra qualquer do interino sobre a pandemia. Nenhum lamento quando do primeiro caso, nem quando do 163º. Não decretou luto oficial, não pediu um minuto de silêncio ou sequer enviou condolências aos parentes da primeira ou da 12ª vida perdida para o vírus na antiga Capital. 

Ele jamais se coloca no lugar de quem perdeu alguém ou tem um doente em casa. Enquanto isso, faz poses para fotos em operação tapa-buracos e articula a própria reeleição.

O jornalismo não julga, apenas mostra fatos. O resto fica com a História, que não costuma posicionar bem omissos e equivocados na posteridade. Esses eternizam-se mal falados ou são esquecidos por seus próprios atos. 

Eu só cumpro meu papel ao registrar. 

 

Números de uma guerra (20/06/2020):

 

Brasil: 

- 1.067.579 confirmados (+34.666)

- 49.976 mortes - 1.022 nas últimas 24 horas 

Fonte: Ministério da Saúde 

 

Rio Grande do Sul:

- 19.138 confirmados (+596) em 372 municípios (75% de 497 municípios) 

- 430 mortes - 7 nas últimas 24 horas

- 1.434 pacientes em leitos de UTI - de 2.038 disponíveis (70,4% de ocupação)

Fonte: secretaria da Saúde do RS

 

Viamão:

- 163 casos (sem alteração nas últimas 24 horas)

- 12 vidas perdidas

- Mortes em maio: 4*

- Mortes em junho: 8*

* Mês de notificação

Fonte: secretaria da Saúde de Viamão

 

Comparação do coeficiente com a média municipal, regional e nacional, respectivamente:


Viamão: 63,86/100 mil habitantes 
RS: 168,2/100 mil habitantes 
Brasil: 491,5/100 mil habitantes 

Fonte: secretaria da Saúde de Viamão

 

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