Segunda, 10 de AGOSTO de 2020

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Crise do coronavírus

Viamão se aproxima dos 300 casos de COVID-19; Em semana com oito mortes, teve oração no gabinete do Russinho, mas não foi pelas vítimas da doença

por Cristiano Abreu | Publicada em 12/07/2020 às 00h| Atualizada em 21/07/2020 às 22h37

A última semana trouxe dor para famílias e amigos de oito moradores de Viamão que sucumbiram sob o peso do coronavírus. No mesmo período, de acordo com os números oficiais da Prefeitura, 50 novos casos da COVID-19 - cinco deles neste domingo (12) - foram notificados.

São 29 mortes e 290 pessoas infectadas em 114 dias de pandemia. Durante este tempo, a coluna cobrou, sistematicamente, a ausência de fiscalização pública, a falta de engajamento da população, o egoísmo emanado pela parcela dos empresários que desrespeita as normas e o silêncio de Russinho diante das vidas perdidas.

A Antiga Capital do Estado se aproxima dos 300 infectados pelo vírus (nas estatísticas, pois a subnotificação e os indicadores da Região Metropolitana dão indícios que os números locais são muito piores), mas do Gabinete Interino o som de oração que ecoou nesta semana não tem nada a ver com a pior crise de saúde dos últimos cem anos.

Na tarde da quarta-feira (9) um grupo de pastores encaminhados pelo vereador Xandão Gomes visitou Russinho. E como a vida imita a "arte", a la Bolsonaro, ao fim do encontro, os religiosos realizaram orações pelo chefe Executivo.

Como há explicação para quase tudo, essa não era a pauta original do encontro. É que o prefeito interino teve alteração de pressão arterial e foi atendido na UPA na noite anterior. Mas não deixa se ser um dos "grandes lances dos piores momentos da política", para ficar no termo cunhado pelo Rafael Martinelli.

Braços erguidos a centímetros dos rostos, máscaras frouxas ou penduradas em uma das orelhas, voz alta, mãos tocando a mesa, narizes para fora da proteção. Havia de tudo um pouco na equivocada cena divulgada em fotos oficiais do encontro.

Bizarrice completa.

Em que pese os resguardos constitucionais pela liberdade religiosa, há de se respeitar a laicidade do poder público. Se for da crença pessoal de cada um, que se reze por Russinho - que aliás preferiu não comentar publicamente sua ida à UPA, ou desmentir a realização de teste para identificar a COVID-19 -, mas não no Gabinete.

Já basta as leituras de trechos da Bíblia em sessões de Câmaras, padres abençoando inaugurações e políticos aparelhando ideologicamente igrejas, templos e terreiros. Pega muito mal em ano eleitoral, fica pior durante a pandemia. Soa a bajulação visando a flexibilização das regras de distanciamento social.

É a fé do CNPJ.

E nem dá para adjetivar o ato de se deixar bajular dessa forma quando lá fora, no mundo real, a cidade tem 69 casos e 13 mortes em 12 dias. Tal cena é puramente midiática e agrava-se quando as UTIs do hospital local estão lotadas, quando não há uma vaga sequer para sepultamento em cemitério público.  

Não dá para internar, fica mais difícil tratar o vírus, o decreto restringe a cerimônia de despedida e não há sequer covas disponíveis para a população mais necessitada financeiramente enterrar seus entes queridos. Então, que se reze por Russinho, mas que se faça também pelas vidas que se foram, pelos que estão amarrados a respiradores e pelos que aguardam uma cama de hospital. E já que estamos falando de símbolos, que se decrete o luto oficial pelas 28 vidas perdidas até aqui.

O prefeito interino está devendo.

 

 

Evolução do contágio

 

Viamão tem 290 pacientes infectados desde o início da pandemia. Desses, 179 têm o vírus ativo, com 159 mantidos em isolamento domiciliar e 20 hospitalizados. O tratamento de 12 moradores de Viamão é realizado em Porto Alegre e oito estão internados na casa de Saúde aqui do município.

De acordo com a Vigilância Epidemiológica (DVS), 718 residentes em Viamão foram submetidos a exames e 403 testaram negativo para a COVID-19 desde março. Outros 25 estão sob investigação e aguardam resultados de exames.

São 69 novas infecções em 12 dias de julho, o que supera um terço dos casos positivos registrados em todo o mês de junho.

 

Média semanal de mortes - 11/5 a 11/7

 

10/16 maio – 0,14/dia

17/23 maio – 0,14/dia

24/30 maio – 0,42/dia

31 maio / 6 junho – 0,28/dia

7/13 junho – 0,28/dia

14/20 junho – 0,57/dia

21/27 junho – 0,14/dia

28 junho / 4 julho – 0,85/dia

5/11 julho – 1,14/dia

 

Números de uma guerra:

 

Brasil: 

- 1.864.681 confirmados (+ 45.048 nas últimas 24 horas)

- 72.100 mortes (+ 631 nas últimas 24 horas)

- 1.123.204 recuperados

- 669.377 em acompanhamento

Fonte: Ministério da Saúde 

 

Rio Grande do Sul:

- 39.240 confirmados (+524 em 432 municípios - 87% de 497 municípios) 

- 962 mortes (+ 19 nas últimas 24 horas)

- 1.639 pacientes em leitos de UTI - de 2.254 disponíveis (72,7% de ocupação)

-  32.815 recuperados 

 - 5.463 em acompanhamento

Fonte: secretaria da Saúde do RS

 

Viamão:

- 290 casos (+1 nas últimas 24 horas)

- 28 vidas perdidas

- 83 recuperados

- 179 em acompanhamento

 

Fonte: secretaria da Saúde de Viamão

 

Comparativo de coeficiente de contágio:

 

Brasil: 
887,3/100 mil habitantes

Rio Grande do Sul:
344,9/100 mil habitantes

Viamão (dado de 10/07): 
111,28/100 mil habitantes

Fonte: https://covid.saude.gov.br/

 

 

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