Segunda, 21 de SETEMBRO de 2020

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Crônica

Coluna do Gustavo | Carta para meus filhos #04

por Gustavo de Assis Guedes | Publicada em 07/08/2020 às 00h| Atualizada em 07/08/2020 às 12h20

Meus filhos, hoje quero falar sobre os seus avôs e sobre a sorte que vocês têm. Considero uma grande vantagem poder desfrutar do convívio com essas figuras paternas. Eu, por exemplo, não conheci os meus. Ambos faleceram antes de eu nascer e, o mais triste, antes de completarem cinquenta anos. Portanto, peço que aproveitem e valorizem essa benção. Com certeza, eles valorizam demais a experiência única que é cuidar de vocês.

Diferente das avós, as quais o instinto materno já providenciou de sensibilizar, avôs tem seu lado feminino aflorado somente quando pegam os netos no colo. Para muitos homens, sua chegada é como uma autorização para se emocionar. A verdade é que ser pai implica muitos deveres e responsabilidades. Para alguns é mais fácil que para outros, mas todos precisam abafar um pouco o instinto de lobo solitário, de macho (autodenominado) alfa, e destinar seu tempo para cuidar de seres que exigem atenção constante.

Preciso confessar, seu tio e eu exigimos cuidados e orientações constantes. Para nossa sorte, seu avô soube diferenciar as horas de ser amigo das horas de ser rigoroso. Não pensem que esse coração de manteiga que vocês conhecem era assim enquanto tomava conta da gente. A ternura sempre esteve lá, claro, mas junto havia também um quê de “é assim que se faz”. Suas lições de vida moldaram quem sou e se hoje me consideram um bom pai, com certeza é porque tive um excelente.

Todos esses ensinamentos me fizeram sentir fundo na alma a necessidade de deixá-lo com orgulho. Suspeitei ter conseguido quando presenciei sua transformação ao tornar-se avô. Acredito que a sensação dele de puro amor sem deveres ao pegá-los no colo só teve aquela intensidade por causa disso. Sabendo que já tinha realizado seu trabalho comigo, ele poderia apenas aproveitar vocês. Não havia mais a pressão do exemplo a ser seguido. A necessidade de acertar na tomada de decisões importantes que pudessem afetar o destino de toda a família era apenas uma vaga lembrança.

Por isso, meus filhos, tenho um pedido a fazer. Já devo ter feito milhares, mas este não é como outro qualquer. É o maior desejo de todos os pais. Quero que me deixem orgulhoso. Acredito que assim poderei desfrutar da mesma sensação que meu pai teve quando olhou nos seus olhos pela primeira vez. Talvez não entendam agora e talvez eu não tenha sido claro mesmo. Também não sei se entendi tudo que meu pai me disse. Talvez só faça sentido quando tiverem seus filhos e netos. Talvez eu só queira que vocês se orgulhem de mim da mesma forma que eu me orgulho dele.

Cristiano Abreu

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