Quinta-feira, 29 de OUTUBRO de 2020

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Opinião

Sankofa Viamão | Chadwik Boseman, o herói negro

por Ígor Andrade Cardoso | Publicada em 05/09/2020 às 00h| Atualizada em 11/09/2020 às 14h52

Após algumas semanas abordando algumas questões historiográficas ligadas à negritude, eu não poderia deixar de fazer uma homenagem ao ator do filme Pantera Negra, Chadwik Boseman, falecido na última semana. Como vários textos sobre o filme e o ator aparecerão na internet, eu decidi falar sobre algo que, infelizmente, ainda é pouco frequente: heróis negros no cinema.

Primeiramente, não abordarei todos, mas aqueles que fazem parte do meu conhecimento, já que o que sei sobre cinema é muito superficial em relação a muitos que são especialistas no tema. Ainda assim, a ideia do Pantera Negra, o rei T’Challa de Wakanda, é marcante e inovadora, pois é um dos poucos heróis que abordam o tema negritude e cultura africana sem ser necessariamente um herói subordinado a protagonistas brancos como é comum na maioria dos filmes hollywoodianos. Além do mais, vou dar destaque aos atores que viveram os personagens, pois a ideia do artigo é o foco central nos personagens.

Uma adaptação marcante e necessária para o próprio sucesso dos filmes da Marvel foi o caçador de vampiros Blade vivido por Wesley Snipes. Embora a história se passe em um pano de fundo semelhante ao das histórias de zumbi que estão na moda e Blade não seja necessariamente o herói clássico que faz uso de capas e salve mocinhas indefesas, ele é um marco de transição fundamental nos filmes. Blade é o primeiro protagonista, ele é diferente de Lando Calrissian de Guerra nas Estrelas, que aparece muito mais como um amigo malandro do mercenário Han Solo, que acaba se demonstrando como herói quando o Império Galáctico não cumpre com alguns acordos combinados com ele. Blade ainda é a figura do anti-herói, o personagem meio humano meio vampiro, mas o pioneirismo do filme merece destaque.

Nas adaptações dos X-Men, além da influência de Blade nos uniformes utilizados pelos mutantes, evidentemente seria inevitável o destaque da mulher negra dos mutantes, Ororo Munroe – A Tempestade, vivida pelas atrizes Haly Barri e Alexandra Shipp nos cinemas. Na história abordada pelo universo dos X-Men, a Tempestade, assim como o Pantera Negra, é nascida no continente africano, sendo a primeira nascida no Quênia e o segundo nascido no país fictício Wakanda. A Tempestade é apresentada como uma heroína com diversas capacidades, a mais evidente é a de controle dos fenômenos climáticos. Embora ela não seja uma personagem central nos filmes da franquia, ela tem uma figura de liderança nos grupos.

Antes ainda do Pantera Negra no universo Marvel, a DC fez adaptações que levaram à Liga da Justiça aos cinemas. Os filmes Batman versus Superman e Liga da Justiça não foram o sucesso esperado nas bilheterias, mas foram responsáveis por mostrar um dos heróis negros do universo DC: o Ciborgue, interpretado pelo ator Ray Fisher. Seus poderes na história têm ligação com o vilão da trama e o herói aparece como alguém que jogava futebol americano. Embora o personagem merecesse ser mais explorado, foi um personagem central no filme da franquia. Os fãs da DC Comics torcem para que venha uma adaptação para os cinemas do adolescente Super Choque, herói cujo desenho ensaia algumas discussões sobre a negritude. Se a adaptação para os cinemas vier, o universo DC vai ganhar um espaço com o público negro que a Marvel soube muito bem aproveitar com o Pantera Negra.

Pouca gente percebeu, mas o ator Michael B. Jordan, que interpretou de forma brilhante o vilão Erik Killmonger no filme Pantera Negra antes havia interpretado um super-herói também em uma adaptação da Marvel: o Tocha Humana no reboot (nova gravação) do Quarteto Fantástico. O filme ficou muito longe da qualidade e do roteiro de sucesso do Pantera Negra, mas ainda assim é importante ser mencionado nesse processo de colocar o negro em papéis de heróis. Felizmente, Michael B. Jordan pôde mostrar seu talento como um vilão bastante marcante do Pantera Negra: interpretando um primo do personagem central que conviveu com toda o sistema racista existente nos Estados Unidos, diferente do primo T’Challa que aparece como herdeiro do trono do próspero reino fictício de Wakanda.

Enfim, embora de maneira mais lenta do que deveria e com muitas limitações, o protagonismo negro vem aparecendo nas grandes adaptações de heróis no cinema (fundamentais para trazer as discussões sobre negritudes para os mais jovens). O universo de Guerra nas Estrelas mostra o Império Galáctico usando negros como Stormtroopers, com a última trilogia mostrando como um dos personagens centrais Finn (interpretado pelo britânico John Boyega), o qual se revoltou contra a submissão imposta por indivíduos ligados ao “lado sombrio”. O mesmo universo já tinha dado espaço para o mencionado Lando Calrissian interpretado pelo ator Billy Dee Williams e o mestre Jedi Mace Windu interpretado pelo brilhante Samuel L. Jackson. Outro destaque importante é o Django Livre de Quentin Tarantino, que mostra o escravo liberto Django (interpretado por Jamie Foxx) buscando salvar a mulher amada de uma grande propriedade escravista no Sul dos Estados Unidos. Que venham mais ótimas histórias para a telona dos cinemas.

 

 

Ígor Andrade Cardoso é especialista em ensino de História e de Geografia.

 

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