Sexta-feira, 18 de JUNHO de 2021

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Crise do coronavírus

Prefeito Valdir Bonatto assinou termo de cogestão junto de outros prefeitos da região no Palácio Piratini

Voltamos à eleição: explode COVID, abre quase tudo em Viamão e região; Siga como fica a bandeira laranja

por Rafael Martinelli | Publicada em 11/01/2021 às 00h| Atualizada em 18/01/2021 às 12h49

As prefeituras de Viamão, Cachoeirinha, Gravataí, Glorinha e Porto Alegre promovem, a partir deste domingo (10), um ‘liberou quase geral’ de atividades essenciais e não essenciais, mesmo com a confirmação da chegada da ‘COVID de Natal e Ano Novo’, índices de contágio e mortes próximos ao pico de agosto e UTIs covid e não-covid lotadas, emergências e até maternidade funcionando sob restrição – como acontece desde ontem no Hospital Viamão.

Voltamos às regras da eleição.

Ao fim deste artigo, detalho o Plano de Cogestão Regional que – diferente do acontece em países da Europa, que decretaram novos lockdowns com a segunda onda – não avança para a temida bandeira preta e sim recua da bandeira vermelha para a laranja, de médio risco, no Distanciamento Controlado do Governo do RS.

Fato é que, desde a igreja ao cabaré, a reabertura que antecipa a volta às aulas presenciais permite até eventos com mais de 2 mil pessoas, "desde que respeitando protocolos sanitários”. Para valer, depende agora somente de um decreto municipal. E papel e caneta estão nas mãos de Bonatto.

A ordem dos governantes para evitar a tragédia 2.1 é aumentar a fiscalização sobre aglomerações, o que até agora – combinemos – operou sob a Lei Vampeta, do ‘finge de cumpre que eu finjo que fiscalizo’. Desde março, quando foi confirmado o primeiro caso na região, algumas poucas operações de fiscais, guardas municipais e brigadianos terminaram com a festa na Senzala dos pobres; agora, a promessa é de também baterem às portas da Casa Grande, e as aglomerações dos ricos.

Salvo engano, a ‘ideologia dos números’ não parece evidenciar melhora significativa. Os indicadores oficiais de domingo mostram ocupação de 80% nos leitos da Região 10. No último dia de 2020, era de 82,8%. No dia 5, 79,4%.

Em Viamão, todos os leitos de UTIs covid e não-covid - incluindo as macas - estão ocupados, Segue a tragédia de antes mesmo da pandemia: pessoas em macas, cadeiras de rodas, sentados no chão ou escorados na parede.

A média local de casos de dezembro é de 1 infectado a cada partida de futebol. As mortes chegam a 1 a cada 24h. Já são 245 vidas perdidas na pandemia. 

É compreensível a preocupação dos prefeitos com as dificuldades enfrentadas por empreendedores, principalmente no setor de serviços, festas e eventos, e em um momento em que o auxílio-emergencial termina. Mas, não só a mim assusta a reabertura em um momento de explosão da COVID.

– Acabou. A equação brasileira é a seguinte: ou o país entra num lockdown nacional imediatamente, ou não daremos conta de enterrar os nossos mortos em 2021 – alerta Miguel Nicolelis, brasileiro mundialmente famoso, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos e um dos criadores do Projeto Mandacaru, grupo formado por voluntários das mais diversas áreas que dá orientação e consultoria sobre o enfrentamento da pandemia aos nove estados que compõem a região Nordeste.

Em entrevista à BBC News Brasil, o neurocientista aponta a sequência de erros que colocam o país em segundo lugar no ranking de mortes por COVID-19 no mundo. Ele diz estar extremamente preocupado com o momento atual, de segunda onda de casos ou repique da primeira, agravado por campanhas eleitoras, aberturas pelo país e festas de fim de ano.

– Estamos num momento que era propício e imediato para ter uma intervenção nacional pela primeira vez. Para parar, para ter uma queda dramática e rápida de novos casos até que a campanha de vacinação começasse. Eu estou vendo esse momento com extremo pessimismo, porque a gravidade é óbvia – diz o cientista, consultado quase que diariamente pela GloboNews.

Questionado sobre o impacto econômico dessa medida drástica, Nicolelis afirma que “se realizarmos um isolamento social rígido, um lockdown por duas ou três semanas, com só serviços essenciais funcionando, é possível minimizar os danos econômicos no futuro”.

À pergunta “O sr. fala em intervenção nacional contra a pandemia. O que seria isso?”, Nicolelis respondeu:

– O Brasil precisa fazer algo muito parecido ao que aconteceu na Grã-Bretanha nos últimos dias. Isso, aliás, veio a partir do comitê científico britânico, que pressionou o primeiro-ministro e o governo para fazer um lockdown mesmo com o início de vacinação por lá. Era óbvio que não dava pra esperar pra vacina fazer seu efeito populacional. É preciso conter a escalada para o sistema de saúde não colapsar. O que nós precisávamos por aqui era justamente isso. Ter um comando central. Uma mensagem única, disseminada para o país inteiro, com transparência, com bons dados, com boas práticas. E nós precisaríamos, na minha opinião, de um lockdown por duas ou três semanas para reduzir a pressão no sistema de saúde.

Ao fim, reputo iniciaremos a semana não em um Seja O Que Deus Quiser, e sim em um Seja O Que Eu E Você Quisermos. Com regras iguais à eleição, como tantos reclamaram, enquanto esperamos a vacina cuidemo-nos ou seguiremos neste perpétuo e trágico 2020 – que hoje marca 41 de dezembro, no calendário da colega Márcia Dienstmann.

Inegável é que, sendo otimista, tudo vai de pior em mal.

 

AS NOVAS REGRAS

 

Missas e cultos

: Agora: máximo de 30 pessoas ou 20% do público.

:  Como fica: 30% do público.

 

Restaurantes, bares, lanchonetes, inclusive em shoppings

: Agora: ingresso até as 22h, com encerramento às 23h / 40% a 50% de lotação.

: Como fica: sem restrição de horário / 50% de lotação.

 

Comércio essencial de rua (farmácias, supermercados etc)

: Agora: sem limite de ocupação / 50% de trabalhadores.

: Como fica: sem limite de ocupação / 75% de trabalhadores.

 

Comércio não essencial de rua (vestuários, eletrônicos, móveis etc)

: Agora: 50% dos trabalhadores / ingresso até 22h, encerramento às 23h.

: Como fica: 50% dos trabalhadores / sem restrição de horário.

 

Shoppings - Comércio não essencial

: Agora: ingresso até 22, encerramento às 23h / 50% de trabalhadores / 50% de ocupação.

: Como fica: sem restrição de horário / 50% de trabalhadores / 50% de ocupação

 

Shoppings - Comércio essencial

: Agora: sem restrição de dia e horário / 50% de trabalhadores / sem restrição de lotação.

: Como fica: não muda.

 

Bancos e lotéricas

: Agora: 50% de trabalhadores.

: Como fica: de 75% trabalhadores.

 

Condomínios

: Agora: fechamento das áreas comuns (piscina, salão de festa, churrasqueira etc) / academia com atendimento individualizado.

: Como fica: permite áreas comuns / distanciamento de 4m / academia, 10m2.

 

Serviços de forma geral (imobiliárias, salões de beleza, lavanderias etc)

: Agora: 25% de trabalhadores.

: Como fica: 50% de trabalhadores.

Obs.1: Advocacia e contabilidade: 75% dos trabalhadores.

Obs. 2: Continua sendo, preferencialmente, teletrabalho.

 

Clubes sociais

: Agora: abertos para atividades físicas de manutenção de saúde / fechados para lazer / fechamento das áreas comuns / 25% de trabalhadores / 25% de lotação.

: Como fica: abertos para lazer / abertas áreas  (piscina, academia etc), com distanciamento de 10m2 / 50% de trabalhadores / 50% de lotação.

 

Piscinas em geral

: Agora: apenas em clubes sociais e para atividades de saúde.

: Como fica: autorizadas de forma geral, com ocupação de 1 pessoa a cada 10m2.

 

Academias

:  Agora: 16 m2 / 25% de trabalhadores / 25% de lotação

:  Como fica: 1 pessoa a cada 10m2 / 50% de trabalhadores.

 

Eventos

: Agora: corporativos, sociais e entretenimento / fechados teatros, espetáculos etc. Apenas em ambiente aberto.

: Como fica: permitidos de forma geral / ambiente aberto ou fechado.

Pedido de autorização, conforme número de pessoas (trabalhadores e público) presentes ao mesmo tempo:

- Até 300: protocolos sanitários estaduais e municipais;

- 300 a 600: protocolos sanitários estaduais e municipais, mais pedido de autorização do município-sede, encaminhado pela organização do evento;

- 600 a 1.200: protocolos sanitários estaduais e municipais, mais pedido de autorização da(s) associação(ões) de municípios da Região Covid, encaminhado pelo município- sede (aprovação por no mínimo 2/3 dos municípios da Região);

- 1.200 a 2.500: protocolos sanitários estaduais e municipais, mais pedido de autorização do Gabinete de Crise, encaminhado pela(s) associação(ões) de municípios da Região Covid.

 

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