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Crise do coronavírus

Professores em ’Estado de Greve’ em Viamão - Leite rasgou as bandeiras e bagunçou a vida dos educadores e das crianças

por Cristiano Abreu | Publicada em 28/04/2021 às 00h| Atualizada em 04/05/2021 às 18h35

Os professores de Viamão entraram na briga pelo não retorno às aulas presenciais. Após o anúncio do governador Eduardo Leite sobre o fim do sistema de bandeiras, o Sindicato dos Municipários (SIMVIA), que representa a categoria, realizou assembleia e participou de manifestações. E anunciou estado de greve.

Nesta quarta-feira (28), o sindicato acompanhou o recém-criado Movimento em Defesa da Vida de Viamão, que entregou um manifesto contra a volta ao secretário Geral de Governo Rafael Bortoletti. O SIMVIA também aprovou, em assembleia realizada ontem, uma lista de encaminhamentos.

Resumo um a um dos oito pontos levantados pelos servidores:

 

1.

 Foi aprovado o não retorno às aulas presencias;

     

2.

Levar os encaminhamentos da categoria com urgência e diretamente ao prefeito municipal;

 

3.

Levar a preocupação com a falta de limpeza nas caixas de água das escolas entres outras como a falta de pessoal para limpeza, ausência de contrato para substituir os mais de 500 servidores que apresentam situação grave de saúde (grupo de risco);

 

4.

A construção de um plano de trabalho nas escolas, que é organizado pelo COE escolar, preparando as escolas para atender as crianças, e que esse seja aprovado pelos profissionais de cada unidade;

 

5.

Consultar o Conselho de Saúde de Educação da Vigilância Sanitária e o COE da secretaria da Saúde sobre qual o parecer dado quanto ao retorno às aulas presenciais em Viamão, já que o Conselho Estadual de saúde é contrário a volta presencial;

 

6.

De acordo com o movimento, o diretor é o responsável pela escola, logo, estaria garantida juridicamente em Decreto Estadual a sua responsabilidade no caso de atestar que a escola está em condições de retorno. Dessa forma, os servidores poderão ter respaldo legal caso sejam obrigados a retornar para um espaço sem condições adequadas;

 

7.

Após ter a agenda com o prefeito atendida, a categoria chamará uma assembleia de urgência com os servidores para outros encaminhamentos.

 

8.

A preocupação é com o número de profissionais contaminados na administração pública. A alegação é que ocorreram casos em diferentes secretarias, incluindo secretários titulares, diretores e familiares, com até mesmo mortes. Na visão da categoria, isso demostra fragilidades nos protocolos da Prefeitura.

 

- A sociedade ainda não entendeu que a luta pelo não retorno presencial não significa que o professor não queira trabalhar. Ao contrário, os professores têm trabalhado muito mais horas que as horas de seus concursos, atendendo pais, alunos, direções e determinações da secretaria da Educação. Teremos falta de professores, não há empresa para fazer a limpeza básica das escolas, desinfecção dos ambientes e um ano e meio sem limpeza das caixas d'água dos prédios. Até o momento, ninguém fala em vacinação e muito menos na preocupação com a saúde dos servidores da Educação. Queremos vacina para todos - defende a presidente do SIMVIA Maria Darcila Tinoco.

Sigo eu: são questões que de fato merecem atenção. Lembro que são 25 mil alunos e 1.700 servidores, todos de volta às ruas, convivendo e expostos - e a julgar pelas idades, nenhum deles vacinados.

O DV questionou o Gabinete do Prefeito, que reforçou que o município não pretende liberar a volta de todos os estudantes ao mesmo tempo. A ideia é manter o cronograma anunciado pelo prefeito no fim da semana passada. Um novo Decreto Municipal publicado no começo da noite desta quarta-feira - acessível em https://bit.ly/3eEBZLd - autoriza o ensino presencial em Viamão apenas para Educação Infantil, 1º e 2º anos do Ensino Fundamental.
A coluna ainda solicitou entrevista com a secretária da Educação, Márcia Culau.

Até aqui, a única certeza é que Eduardo Leite, para garantir interesses dos sindicatos patronais da educação privada, ignorou a realidade da escola pública gaúcha. A bomba caiu no colo do Bonatto, que agora tem que resolver a bagunça criada pelo colega de partido. Mas não se pode dizer, contudo, que o prefeito de Viamão seja contrário ao modelo presencial, ou seja, aceitou matar no peito o dragão.

Ao fim, como diz o ditado, é energia demais gasta para acender apenas uma lâmpada. Não é segredo para ninguém que mais esse capricho econômico será pago com o dinheiro do contribuinte - da capina dos pátios ao controle sanitário das escolas. Em paralelo, mestres e crianças, os mariscos espremidos entre o rochedo e maré, apanham  a cada rebentação.

Mas não me iludo, pais, alunos e educadores terão sorte se encontrarem pelo menos um tubo de álcool em gel - com mais água do que álcool - na recepção.

Quem dera existisse vontade política em vacinar os professores.

 

Saldo da pandemia

 

A pandemia de coronavírus tem devastado o cenário político de Viamão. Integrantes do primeiro escalão da Prefeitura, servidores e parentes próximos adoeceram. Os casos mais recentes são os do ex-vereador e prefeito Nadim Harfouche e da esposa, Cláudia. Harfouche segue hospitalizado.

Neste ano, entre os infectados foram confirmados o secretário de Administração Alfeu Freitas, o vice-prefeito Nilton Magalhães, e a secretária da Educação Márcia Culau. O marido dela, Jorge Alberto, faleceu no dia 5 deste mês.

O secretário de planejamento Nilson Vargas morreu em decorrência da COVID-19 no dia 12 de fevereiro. No dia 10 de março, o presidente de honra do MDB Viamão Sarico Moura também faleceu.

Em 22 de julho de 2020, o prefeito em exercício Valdir Jorge Elias, o Russinho, foi uma das primeiras vítimas da pandemia no município.

 

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