Quinta-feira, 21 de OUTUBRO de 2021

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Esporte

Nildo (E), atacante Tricolor, e o zagueiro vascaíno Ricardo Rocha | IMAGEM: Reprodução YouTube

#TBT da Dupla Gre-Nal | A magia da Primeira Vez

por Saul Teixeira | Publicada em 27/05/2021 às 09h| Atualizada em 27/05/2021 às 11h39

Porto Alegre. Sensação térmica de 10 graus Celsius negativos. Entro no templo e antes mesmo de repousar na gélida poltrona de cimento, olho para o horizonte e enxergo o Olimpo. Aquele tapete verde, somado a iluminação artificial, tornam o cenário digno de indicação ao Oscar. Aos oito anos, eu recém havia nascido para o futebol pelos pés de Romário e Bebeto e pelas mãos de Taffarel. A noite de 3 de agosto de 1994, definitivamente, selou a minha paixão quase patológica pela “arte de chutar a bola”. Bem-vindos ao Estádio Olímpico Monumental. Ou Velho Casarão para os íntimos.

Gratidão eterna ao nosso vizinho e amigo Cláudio Spinelli pelo convite, logística, segurança e pelos amendoins. Por mais que nossos pais tenham nos dado trocados mais que suficientes, ele fez questão de bancar 100% a nossa noite de gala. Meu irmão, gremistão roxo, estava tão maravilhado quanto eu, embora três anos e meio mais velho.

Exceto dois personagens, não lembro das escalações, tampouco das variações táticas ou dos modelos de marcação empregados. “Olha o mijo, olha o mijo”, grita um cidadão ao fundo. Tio Cláudio pede pra sentarmos quando o Grêmio estivesse na defesa. Chegando no último terço, porém, ficar em pé era o ritual obrigatório, embora também automático.

Toda a vez que um bigodudo com uma faixa vermelha no braço tocava na bola, a torcida gremista gritava em tom pejorativo: “Tetra de banco, Tetra de banco!!!”. Ele não tava nem aí. Desarmava, cabeceava, se antecipava e dava lançamentos perfeitos. Perguntei pro meu irmão quem ele era e a razão dos xingamentos. “É o Ricardo Rocha. Ele se machucou e não jogou a Copa do Mundo”, disse.

Eu mal tinha baixado a adrenalina quando... pênalti para o Vasco. Aqui um parênteses: toda a vez que uma criança fosse ao estádio pela primeira vez deveria ser proibido a marcação de pênaltis contrários e também derrotas, é claro. Voltando ao passado, marca da cal e... para fora. Ufa!!! A noite continuava em ritmo de festa e eu nem precisei mandar a cartinha com a ideia acima para a FIFA.

Bola parada. Fuzuê na área. Pelota viva batendo em 20 canelas, como se fosse um fliperama pinball. Após o entrevero, a gorducha mansamente se apruma com destino à Glória. Como se fosse um gado respondendo aos chamados de um berrante, ela se oferece aos pés de outro bigodudo. Botas pretas na “cara dela”. Bola na rede e festa no cimento.

No segundo tempo, o mesmo protagonista salta mais alto que o próprio estádio, vence o exército cruzmaltino em posição de retaguarda e marca o segundo. Vitória de 2 x 1 e classificação para a final da Copa do Brasil.

Ali nascia outro símbolo na minha vida: a adoração pelos centroavantes, sobretudo os que ousam ostentar às costas a responsabilidade ímpar (em todos os sentidos) do número 9. Nildo acabava de tornar a noite da magia em uma obra de perfeição.

Obrigado, tio Cláudio!!!


 

SAUL Teixeira
Jornalista
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Cristiano Abreu

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