Quarta-feira, 08 de DEZEMBRO de 2021

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Crônica

O mundo de Alice | Sozinha e em silêncio

por Alice Chala | Publicada em 18/10/2021 às 00h| Atualizada em 19/10/2021 às 10h12

Quando paro para pensar, me encontro diretamente com minhas pendências, de aula e de tantas outras áreas da vida, inclusive emocionais. E nesse momento, sei que ser consciente pode ser duro.

E por que evitamos tanto ficar em silêncio e sozinhos? Ou pior, sozinhos e em silêncio? Tenho certeza de que é por isso, pelo menos no meu caso, porque nesses momentos não consigo distrair minha mente do turbilhão que é estar dentro dela. Navegando e navegando nesse mar infinito que é tudo o que eu sou, o que fui e o que quero ser. Tudo junto, tão confuso e tão transbordante..

Agora mesmo, estou observando a Margô, minha felina, deitada na cadeira e de costas para mim. Refleti por um instante, quantas vezes viramos as costas para os nossos problemas mais profundos, a fim de não enfrentá-los? E a vida segue mesmo assim, mesmo que nosso peito esteja ferido, mesmo que o sapato esteja apertado.

Quando escrevo, comunico o que minha alma não sabe falar. Quando escrevo, me dou a oportunidade de vislumbrar exatamente o que sinto e por vezes, não é nada fácil. Olhar para mim mesma não é fácil, e acredito que nunca será. De qualquer modo, quando escrevo, sou acolhida em casa para os meus próprios infortúnios.

E tudo o que sou fica compacto aqui, no texto, no papel e na agenda. E nada do que eu escrevo pode ser mentira, porque a escrita é um palco que só me permite verdades. Verdades bonitas e verdades sórdidas, dito isso, sei que nada do que sinto é insignificante e todos os cantinhos que possuo, contam algo sobre essa minha existência tão única.

Parte do processo de me conhecer se baseia em não esperar a inspiração, não esperar a luz divina para viver. E é gracioso quando ela vem, mas aprender a fazer o meu terreno mágico de sonhos, isso sim é ousadia. Adoro, adoro escrever com o coração. Adoro quando não faz sentido para terceiros, pois sei que é nessa hora que estou completamente nua diante do meu texto.

Por isso já me questionei se gostaria mesmo de ser publicada, talvez um dia, talvez ainda não seja a hora. Porque tenho um desejo efervescente de amadurecer o meu tom, o meu vocabulário e a minha vivência. Não quero amadurecer para me sofisticar, quero amadurecer para conhecer minhas versões que ainda virão e me sentir surpresa a cada mudança.

Eu sou tudo o que me compõem, e são tantas coisas... gosto de pensar nisso. A tinta, a escrita e as músicas. Mas não só isso, para além do que se vê... porque sei que também sou todas as minhas dores e as palavras não ditas, eu sou as minhas vitórias e os sorrisos que construiu a partir da minha própria força e resiliência. E sei que até aqui já fui muito feliz e também imensamente triste, já desejei viver para sempre e já quis morrer.
Não se trata disso a vida em sua mais plena essência?

Cristiano Abreu

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