Quinta-feira, 13 de AGOSTO de 2020

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Crônica

Coluna da Ana D´Avila: Velho carreteiro

Publicada em 21/04/2020 às 00h| Atualizada em 28/04/2020 às 14h51

Ele  normalmente trajava bombachas. No entrevero da sobrevivência vinha seguidamente a Porto Alegre vender seu carvão. Era carreteiro e morava no mato. Acostumado as lides da terra plantava, bebia e fumava.A fumaça do seu cigarro de palha penetrava até nas paredes de sua casinha pau a pique.Os cigarros artesanais tinham um cheiro muito forte.

Teve época que ele teve muito dinheiro, casa bonita e negociações rurais em suas  terras,lá pelas bandas de Morungava. Mas um grande incêndio destruiu seus planos, privilégios e sua casa também. De economicamente estável, passou a viver uma certa  pobreza.Mas seu jeito forte de encarar desafios o levou a criar um negócio alternativo. Vendedor de carvão. E foi com este carvão vegetal que ele fez inúmeras viagens de seu sítio até a Capital Porto Alegre.

Sua carreta era de bois. Seu foco, sobreviver. Após o incêndio em sua fazenda, os filhos foram entregues aos parentes ricos que os criaram e encaminharam na vida. Mas ele era muito gaudério.  Muito gaúcho. Destes de facão, de bombachas e de fumo de rolo. Depois, seus cigarros recebiam a palha de milho seco que lhe dava o contorno final.

Pitando ele agachava no chão para longas conversas com os filhos. Desprezava cadeiras. Não gostava de sofás. E ali, macanudo, dava recados e ensinamentos. Como um velho e sábio índio.Embora sua descendência fosse de desbravadores brasileiros. Em suas veias corria sangue alemão misturado com espanhol.Um gaúcho perfeito.Seu nome era Pedro. Seus olhos,azuis.

Seu passatempo na estância era a pescaria num açude dentro de sua propriedade. Embora ali fosse  uma seara perigosa. Existiam cobras e sapos. Mas ele destemia qualquer perigo com aquele ameaçador facão entrelaçado à cintura.

Gostava de beber. Principalmente quando se deparava com os    problemas da sobrevivência.  Era um homem que adorava a vida. E todos os prazeres que ela lhe oferecia.Mas  com as bebedeiras se alterava. Deixava de ser sábio,otimista,empreendedor para vivenciar sua dose de violência.

Os filhos, já adultos, o temiam. Alguns deles ficaram com traumas de infância. Lembrando do pai e das bebedeiras. O carreteiro sofreu muito com seu vício.Fez sofrer também. Na lembrança dos filhos, ficou o ranger das rodas da carreta e as estórias de um velho carreteiro. Contadas com o linguajar gauchesco e com a esfumacenta companhia de seus cigarros artesanais.

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Cristiano Abreu

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