Terça-feira, 22 de SETEMBRO de 2020

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Crônica

Ana D’Avila: Amor no ar da pandemia

Publicada em 02/06/2020 às 00h| Atualizada em 04/06/2020 às 21h52

Não existia tantos sorrisos. O prazer era quase nulo. Todos só estavam preocupados e, com razão, com vacinas, estimativa de óbitos e notícias tristes. O mundo estava infestado. As pessoas com insônias, depressões e medos. Suélen tinha quarenta e poucos anos e sofria de amor. Vivia sozinha. Não casou. Nunca teve um namorado sério. Não tinha parceiro para dividir as dificuldades da vida.

Até que, numa manhã de sábado foi ao supermercado e a flecha do cupido a acertou em cheio. Junto à prateleira dos vinhos lá estava ele. E aqueles olhos marcantes mirando para ela com rara sintonia. Ele estava de máscara cirúrgica. Ela com a sua, de florzinhas estilo tela de Van Gogh. Os olhares foram fatais. Uma aura de satisfação e reciprocidade indicavam o amor no ar .Assim, sintonizados sentiram uma estranha sensação de prazer.

Sinais do contato foram feitos apenas com os olhares. Os olhos dela eram castanhos esverdeados e os dele, azuis.Os olhos de Suélen estavam pintados com delineador marron, o que lhe dava uma expressão muito marcante. Ela era morena jambo e ele com ar europeu. Depois dos olhares se distanciaram dentro do supermercado. Como o destino, quando é para unir, sempre provoca arrepios.Eles sentiram-se embevecidos e arrepiados. Se reencontraram na rua próximo ao super. Rapidamente, se apresentaram e por um breve minuto, tiraram as máscaras.

Ela pode perceber que ele era muito simpático, apesar da preocupação com a imprevisibilidade do momento. Ele a achou uma morena interessante. Trocaram ideias. Ela neste momento, sentiu uma paz que a muito não existia. Marcaram um encontro. Ele era viúvo e tal como ela, vivia sem ter alguém para dividir a vida. Resolveram namorar.

O ano transcorria incerto. Ninguém sabia o que iria acontecer depois da pandemia. Nem os estudiosos, nem os filósofos. E muito menos os médicos. Que inevitavelmente também iam morrendo dia após dia. Suélen, ao mesmo tempo em que preocupava-se com a situação mundial, ia se aproximando cada vez mais daquele estranho ser, que ela por acaso, encontrou no supermercado. Ambos tinham carências.

E o encontro e a amizade deles preenchia um vazio existencial. Se conhecendo, entenderam que sempre haverá uma esperança de felicidade. Mesmo transbordando alegria eles se mantiam calados. Foi assim que o casal sobreviveu a pandemia. Não pensavam em casar. Apenas viver e amar. Já que talvez, os dias estivessem ameaçados.

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Cristiano Abreu

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