Quinta-feira, 06 de AGOSTO de 2020

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Crônica

Ana D´Avila | Madrugada, café e sonho

Publicada em 28/07/2020 às 00h| Atualizada em 29/07/2020 às 16h32

A cena olfativa mais prazerosa que existia na madrugada era, sem dúvida, aquele cheiro de café passado. Bebido em copo de bar, acompanhado por uma bolacha amanteigada que ela volta e meia comprava na padaria do supermercado. E da qual tornou-se viciada.

Levantava às três horas da manhã com vontade fazer não sei o quê e sempre esbarrava no fumegante café. Que proporcionava prazer inexplicável ao ser bebido. Em verdade, poderia ser comparado a um orgasmo.

Na noite não existia nenhum barulho. Nem de gente. Nem de carros. Era como se o mundo tivesse acabado. No ouvido, só silêncio. Um silêncio enigmático que a fazia imaginar fatos, atos e desejos. Um deles seria estar com ele. O estelar. O confuso de mente brilhante. Um dos cavaleiros do apocalipse. Provando o sabor de lábios quentes. Em situações não planejadas. Ditadas pelo acaso, em encontros de absoluta necessidade. Na verdade, nunca existiu ato nenhum. Nem beijo.Nem encontro. Mas em sua cabeça não dormida, eles existiam. Não era desejo. Era sono incompleto. Era imaginação.

Como numa metáfora, pensou realmente em tê-lo. Com a possibilidade de vê-lo nu. Sem nenhum pudor ou culpa. Ah, a culpa! Esta coisa psicológica que habita cérebros. Dos quais nem fugindo há absolvição. A saia de lã escondia pernas pudicas. Mas e, dentro daqueles jeans masculinos, o que existiria? Joelhos malhados, um pênis normal, uma bunda grande? E na cabeça, existiria os mesmos pensamentos. Desejos carnais? Intelectualidade? Medicina? Jornalismo? Vacinas?

O mundo estava ruindo e ela com a cabeça mergulhada em prazeres da vida. Na estupidez do sexo. Não queria morrer, muito menos deixar de viver aquela experiência que moldava o seu destino, mas que era totalmente imprópria para o momento em que a humanidade vivia. Para sua própria história de vida. Para o seu desenvolvimento espiritual. Porque algo muito estranho acontecia. O portal 11:11 não saía de seu pensamento. Ele também não.

Instigante homem das estrelas que materializou-se na serra gaúcha e também no litoral. Sempre bronzeado. Sempre sorridente. Em que parte do sono estaria incluído? Seria uma resenha da madrugada? O que procurava? Provavelmente, estaria inebriado pelo cheiro e pela espuma do café cujo aroma passou a inundar o pequeno apartamento. Numa grande esperança de dias melhores. Com a magnitude de um incomensurável amor. Intenso e apocalíptico. Terreno e espiritual. Avolumando-se no Planeta Terra como uma onda de mar. Necessário para a mudança de tudo até então conhecido e vivenciado.

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Cristiano Abreu

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