Sexta-feira, 04 de DEZEMBRO de 2020

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

Crônica

IMAGEM: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

AnaD`Avila | De cafonice, amor e saudade

Publicada em 01/09/2020 às 00h| Atualizada em 01/09/2020 às 12h14

Por que o sono não vinha? Por que, de repente, o mundo parou? Ou acelerou. E o processo da vida se fundia com pensamentos que nem eram mais seus. Na intranquilidade de uma noite azeda. Na tempestade ida e na vontade de se dar. Prazer, agonia. Até entender-se “cafona”.

Tudo estava bem, mas não ao ponto da felicidade. Faltava algo. Faltava   momentos. E aquele desejo enorme de voltar a vê-la. Ele era um homem sensível e estava apaixonado.

Mas, onde andaria ela às cinco horas da manhã? Carregando a bateria do celular? Colocando Nescafé em sua caneca preferida? Ou curtindo um resto de noite .Talvez deitada e triste em seu leito apocalíptico. Inteiramente só. Mesmo dividindo a cama.

Ah... o amor. Ah... os desejos. Ah... os pensamentos que vão reconstruindo a noite. No Brasil, só cumplicidades e falcatruas. E a eterna cafonice! Na TV, notícias ruins. Honestidade e ética indo pelo ralo. Imundo. De ratos e detritos. Onde as botas tropeçam. Arrastando-se pela madrugada de chuva.

Na economia, uma roda, uma ciranda. Ricos mais ricos. E pobres mais pobres. E o completar de um ano do falecimento da Fernanda Young. Sua lucidez ditou sua última crônica: “A cafonice brasileira”.

Como Fernanda, a "pensadora", existem muito poucas. Embora lembrando que ela também foi apaixonada. Por gente, textos e livros. Em conjunção direta com a cultura do Brasil. E com os movimentos da minoria.

 Onde andará Fernanda? Em que dimensão estará, além das estrelas? A excêntrica carioca de Niterói no Rio de Janeiro. Dona de raro talento e incrível inquietação. Que escreveu e que viveu no Brasil dos paradoxos e dos absurdos.

Partiu aos 49 anos, no dia 25 de agosto do ano passado. Como um satélite rumo ao Cosmos. Deixou amigos, saudade e belos textos. O último, publicado pelo Jornal O Globo sentenciava: “A cafonice detesta a arte, pois não quer ter que entender nada. Odeia o diferente, pois não tem um pingo de originalidade em suas veias. Segura de si, acha que a psicologia não tem necessidade e que desculpa não se pede. Fala o que pensa, principalmente quando não pensa. Fura filas, canta pneus e passa sermões. A cafonice não tem vergonha na cara”.

Últimas Ana D`Avila

Cristiano Abreu

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9962 3023
[email protected]

Rafael Martinelli

Editor
[email protected]

Roberto Gomes

Diretor
[email protected]

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS