Terça-feira, 22 de SETEMBRO de 2020

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Crônica

Ana D`Avila | Karaokê em Viamão

Publicada em 08/09/2020 às 00h| Atualizada em 09/09/2020 às 18h19

Dia de primavera. No ar, aquelas folhas amareladas, voando das figueiras até ao chão. E uma certeza: o mundo é bom. Agradável, até. Mudanças fazem bem. Principalmente de estações.  No centro de Viamão havia um bar popular. Dentro dele, um karaokê frequentado por gente muito simples. Na maioria das vezes, viajantes do interior do município.

Na passagem pelo bar, tomavam café, cachacinha, uns bolinhos salgados e seguiam viagem. Outros, moravam nas vilas e eram contumazes frequentadores do estabelecimento. As mesas eram pequenas e abrigavam populares, sonhadores e amantes do etílico. Entre elas, uma senhora franzina, morena e com falha nos dentes. Ela ria o tempo todo. Sozinha. Sem se importar com o que passava à sua volta. Bebia algo forte, pois a cada gole, fazia uma careta.

Certo dia, num entre e saí de fregueses, aparece por ali uma moça estilosa. Entra no bar. Está muito bem vestida, cheia de jóias douradas e deixa no ar um cheiro de perfume afrancesado prá lá de agradável. Algo estranho acontecia. Ela não queria beber. Não pediu nada para a atendente. Só queria cantar no karaokê. O dono do bar, vendo aquela figura exótica, imediatamente cedeu ao seu pedido. Era uma moça especial. Chique.

Todos olharam para ela. Pegou o microfone e cantarolou baixinho. Como quê, ensaiando o espetáculo. O Karaokê foi ligado. Ela oficialmente cantou. Era uma música da Marília Mendonça, chamada “Não aprendi dizer adeus”. A cantora foca muito seu repertório em músicas de sofrência. A moça deveria estar da mesma forma, sofrendo por algum amor não correspondido. Curioso é que ela, olhando o monitor do Karaokê, não errou nenhuma palavra, nenhum tom.

Terminou a música, e a platéia do bar bateu palmas. Muitas palmas. Parecia que a própria Marília Mendonça havia passado por ali. Na mesa daquela senhora desdentada, aconteceu uma louvação. Não só aplaudiu como queria um autógrafo.

O dono do bar se deu por satisfeito. Principalmente naquele dia de vento primaveril e cliente especial. A moça charmosa agradeceu a todos e saiu pela rua, deixando no ambiente uma sensação de encantamento e desmesurado mistério.

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Cristiano Abreu

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