Sexta-feira, 23 de OUTUBRO de 2020

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Crônica

Ana D`Avila | A rosa verde

Publicada em 29/09/2020 às 00h| Atualizada em 29/09/2020 às 11h37

Ariano   Suassuna, dramaturgo, romancista e poeta brasileiro defensor da cultura do nordeste, costumava dizer que amava os loucos. Não sabia, entretanto, se isto acontecia por identificação. Mas que ele se dava muito bem com os doidos. Não vou fugir à regra. Também admiro a insanidade criativa. E os insanos estão em todo lugar. Nas praias principalmente. Nesta sexta-feira conheci uma figura exótica nas areias de Capão da Canoa.

Sentada num banco branco perto do mar, o visualizei, vindo em minha direção. De chapéu colorido estilo Bob Marley, ele caminhava com um feixe verde embaixo do braço. Eram folhas de palmeira. Para que servia e o que faria na praia com elas, logo fiquei sabendo: artesanato. Com esta planta ele confeccionava ali mesmo na praia, usando somente um canivete figuras, objetos e o que lhe viesse a cabeça. Suas criações eram compassadamente materializadas. À frente das pessoas. E, numa rapidez assustadora.

Falando comigo, se identificou. Disse que era um viajante das praias. Com o canivete e o feixe de folhas verdes, ia criando sua arte. Presenteando as pessoas. Para você, disse ele, criarei algo especial: uma rosa. E foi recortando as folhas com muita rapidez. Encaixou-as numa vareta da própria palmeira e concluiu a rosa. Era um hippie 2020. Falei para ele que também fui hippie na década de 70. Disse ele: “Humm... alternativa! Aram exótica!" Ofertou-me a flor. Uma rosa verde que significava o verde das florestas brasileiras, hoje tão absurdamente destruídas pela insensibilidade humana.

Desde muito tempo admiro a consciência ecológica que a tribo dos hippies tem. Há quem diga que a chamada árvore do viajante, a que ele tinha numa braçada, entre seu corpo, possua um aspecto cultural típico das plantas originárias da ilha de Madagascar. Uma verdade indiscutível. A espécie conquistou muitos jardineiros pelo mundo afora, os veteranos e quem está apenas começando agora. As folhas gigantes e a semelhança com a bananeira fazem com que a planta se torne ainda mais popular no meio da jardinagem e paisagística.

O hippie criativo continuou sua caminhada pela praia. Desaparecendo em meio à névoa. Que o mar, naquela tarde, jogava para fora com intensidade maior que os outros dias. Talvez, com mais energia. Talvez com novos segredos cósmicos. Que só as pessoas alternativas costumam enxergar. Que só os hippies dão valor.

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Cristiano Abreu

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