Domingo, 29 de NOVEMBRO de 2020

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Crônica

Ana D`Avila | Uma tarde na praia

Publicada em 17/11/2020 às 00h| Atualizada em 17/11/2020 às 15h49

As pessoas saudosas do mar circulam com seus tons de pele, muitas vezes esbranqueado, na areia molhada. O sol ora aparece, ora se esconde. É novembro. Há mais contemplação em vez de diversão. Os tempos difíceis que a humanidade está vivendo estão tornando tudo diferente. Até o hábito da praia está mais fraterno.

Ao longe uma família com uma criança pequena. Tudo para ela é novidade. Desde a coleta de algumas conchinhas do mar, até aos pássaros que circulam e voam ao seu redor, em disparada. Depois, essas aves param, se alimentam de pequenos fragmentos de algas que a maré traz. Literalmente tudo é bicado, experimentado entre voos rasantes e bem próximos da criança, que observa e parece entender.

Mais além da família do pequeno, duas mulheres. São jovens. Buscam bronzear a pele. Mas o sol às vezes não corresponde. Elas desistem, guardam seus pertences. Fecham bolsas e cadeirinhas e vão embora, já cansadas de tanta espera pelo sol, ou talvez fosse por alguém. Jamais se saberá a verdade das mulheres. Se esperam por namorados ou se os rejeitam. Elas pareciam saber o que queriam. Se o sol se escondeu, melhor ir embora. E foram.

Em frente ao mar, muita gente fazendo caminhadas. Homens e mulheres. Jovens e idosos. Alguns de meia idade, bem conservados e de pele, esses já um pouco bronzeados. Um homem de boa estatura, com um calção vermelho faz uma marcha esportiva. Deve ser adepto da educação física, como tantos que priorizam o corpo. Se alimentam direito, e comem peixe, frutas e legumes. É a geração que está passando dos oitenta anos.

Na areia, um sinal da poluição. Um peixe branco morto estendido na areia. Faz a gente pensar um pouco, no incidente. Seria ele um descarte de algum pescador? Ou teria se vitimado em caráter normal. Se é que é normal um peixe morrer na praia. Como o filme Morte em Veneza. Tão surpreendente e ao mesmo tempo tão triste.

Como cães de praia, corro um pouco para espantar o tédio, pois ficar sentada numa cadeira de praia por muito tempo entedia. E eu não quero me entediar. Quero me exercitar. Quero viver todos os dias contemplando a natureza, tão bela. De mar azul e transeuntes bronzeados, ou quase bronzeados. Acendo um cigarro, sabendo que é incorreto. Solto a fumaça no ar. E suspiro. Para uma satisfação interna ou talvez, um ritual. Não sei.

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Cristiano Abreu

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