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Crônica

Ana D`Avila | União estável

Publicada em 01/12/2020 às 00h| Atualizada em 01/12/2020 às 12h17

De pernas longas e musculosas, atravessava a praça. Num compasso físico de atleta. Cada passo era um compromisso assumido com a responsabilidade. Ia ao cartório, mas parecia estar no clube esportivo. Ou em alguma pista de atletismo. Parou. Atravessou a rua. Entrou no edifício. Dentro, muitos papéis a assinar. Nenhum tão importante que valesse a caminhada, porém o compromisso precisava ser mantido. Na verdade, um dos papéis merecia atenção.

A amiga o aguardava. Tão submissa. Tão certa de sua inferioridade. Tão comum. O trajeto foi feito para ela... aquela que merecia um compromisso. Ela corria também, mas não era atleta. Seus pequenos pés e pernas sem atividade física não o acompanhavam mesmo quando caminhavam juntos. Numa identidade nula. Num destino sem importância. Agora estavam levando a sério o relacionamento.

No momento da assinatura do compromisso, tudo ficou esclarecido. A brincadeira desapareceu. O contrato era visível. Real. Agora, desprovido daquele sentido celestial das festas de casamento.   Algo sem  maquiagem. Bruto. Ato cru. Pessoas se unem. Pessoas separam-se. E sacramentam seus compromissos. Às vezes, assinaturas nada representam. Mas é a garantia. Efêmera garantia de que há amor. De que tudo está bem. De que seus patrimônios são intocáveis.

Aqueles olhos azuis jamais desapareceram de sua lembrança. Eles pareciam hipnotizá-la. Na verdade, hipnotizaram. Depois os desmandos. O amor desaparecido. E aquela vontade sumir da face da terra. Erros humanos. Questões emocionais. Desejos e pretensões. Por ora a comemoração. O futuro é mais além. Era como se estivessem casando oficialmente. Tardiamente. Mas estavam.

A vida já estava quase vivida. Embora as expectativas e experiências fossem grandes. A  alegria é que não mais existia. De que valeria um papel assumido em cartório diante de um quadro sem sentimentos. Resolveram assim.

Cada um por si. Passagem terrena, desafios, convivências. Ela de blusinha amarela, calças jeans e incontáveis loucuras na cabeça. E ele interessado em casamento. Com aquela sua camisa novaiorquina impregnada de odores, com aquela musculatura saliente de anos e anos de malhação e esporte. Talvez aquele papel nada significasse? Na mesa, em cima da papelada, se lia: “União Estável”. Seria estável mesmo ou finita?  O tempo não diz. O vento na rua, sim. Casaram-se.

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Cristiano Abreu

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