Sabado, 10 de ABRIL de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | O beijo e o êxtase

Publicada em 08/12/2020 às 00h| Atualizada em 08/12/2020 às 12h

Sexta-feira de transe. Não por ingestão de álcool ou drogas, mas por amizade. Um beijo havia selado a semana e, intencionalmente ou não, mexido com o âmago daquela louca. Ela sentiu-se nocauteada. Perdeu a razão por dois dias. Já não concatenava ideias, nem lembrava de mais nada. Teve assim como quê uma amnésia transitória. A sua estrutura de vida tremeu.

O que teria causado tal impacto? Nem ela sabia. Seria o beijo um mensageiro da nova era? Estaria contaminado por algum elemento terapêutico de prazer desconhecido? Amizade fraterna. Amizade cúmplice. Amizade venusiana. Quem conversaria com ela, além de seus botões? Estava em estação delírio? Ela não era muito bem estruturada emocionalmente. Agora beirava à total insanidade.

Seus olhos enxergaram ondas num mar inimaginável e profundo. O beijo foi tão tocante que até suas pernas tremeram. Como se um terremoto sacudisse seu corpo. A louca atrapalhou-se. Chamava-se Matilde.Tinha 40 anos. Correu numa disparada atrevida em meio a carros na avenida, chocou-se com pessoas, com sacolas de supermercado. Com uma série de mulheres carregando pacotes coloridos  destinados ao Natal. Tudo era êxtase.

O beijo inesperado chegou sem nenhum aviso ou agendamento. Como nos contos de fadas. Como nos grandes mistérios da vida. O fato foi interpretado, analisado. Mas não explicado: seria a nova forma do contato físico de amizade e gratidão? Por que lhe causou tanta emoção? Ah... as formas humanas de contato! Ah...a carne! Ah...a loucura de repartir ou abdicar!

Sabe-se que durante um beijo há uma troca, um vínculo energético que faz com que as pessoas permaneçam um no outro. E isso é algo muito grande. Por mais que o beijo seja tratado como algo comum e corriqueiro, pode-se dizer que trocamos energias cada vez que beijamos alguém. Deixamos um pouquinho de nós e pegamos um pouquinho do outro.

Matilde, enlouquecida, agora estava envolta naquela luz que tomou conta de sua pele, cabelos, rosto e coração. Às seis horas da manhã, depois de uma noite de sonho lúdico, apertou o botão do alarme do relógio, estancando aquele barulho chato do despertador que incomoda todo mundo. Pulou da cama com o sol já colocando luz na janela de seu quarto. E viveu seus próximos dias. Desta vez sem nenhuma forma de choque, pudor ou fobia. Tudo foi compreendido. Tudo estava perfeito.

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Cristiano Abreu

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