Sabado, 10 de ABRIL de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | O relho do padeiro

Publicada em 05/01/2021 às 00h| Atualizada em 06/01/2021 às 18h38

Primeira segunda-feira de 2021. Festas do ano-novo recém-terminadas. Início de renovações. Algo surreal acontece numa praia do litoral gaúcho. O padeiro está comemorando as boas vendas. Ali as tortas, salgadinhos, pães de milho, quindins, tudo tem aspecto saboroso. O padeiro é sisudo. Atarracado homem do Rio Grande do Sul, que parece não se intimidar com problema algum.

Até que adentra seu estabelecimento uma criatura problemática. Alcoolizado, fedendo e destemidamente inoportuno. Chega e barbariza. Desafia os frequentadores que buscam seus pãezinhos aos olhos estupefatos do dono da padaria. O alcoolista faz cara de mau. Quase não consegue parar em pé devido ao porre - às três horas da tarde.

O estabelecimento fervilha de clientes ávidos por sucos, cafés e tortas de encher os olhos e o paladar; há fila para tudo. Proprietário e seus atendentes assustam-se. Duas senhoras que acabam de sentar-se à uma das mesinhas, para um café, vendo aquele “bafafá”, desistem do lanchinho da tarde. O comerciante fica atônito.

O bêbado insiste que alguém dê a ele algo para comer. “Estou com fome”, berrava em seu bafo insuportável. O padeiro sisudo, e valente, saltou do balcão em cima do bêbado com um relho que metia medo. Era um daqueles famosos trançados das estâncias fronteiriças. Ele deveria ter adquirido o dito instrumento em alguma loja de artigos gauchescos, ou mesmo recebido de presente de algum amigo da costa do Uruguai.

Disse para o pinguço desaparecer de seu estabelecimento, pois estava prejudicando seu negócio... assustando a freguesia e importunando o pessoal que costumava sentar ali para o lanche da tarde.

O bêbado não se intimidou, porém começou a sair de mansinho. O padeiro foi atrás. Começou a bater nele com o relho, que estalava num estrondo no corpo da criatura. “Vá embora”, gritava o padeiro.

O incidente violento foi causado por quem estava sóbrio (ao que parece, apenas do álcool), ao julgar a forma encontrada por ele para fazer o alcoolista retirar-se. Sem medo de represália, o dono da padaria foi feroz na defesa de seu negócio e também de seus clientes – os que não estavam, naquele momento, embriagados.

2021 está apenas começando, mas sem dúvidas para mim, bem mais violento do que ano passado. Parece-me que todo mundo anda estressado com a pandemia que toma conta do mundo.

Que haja vacinas, sim! Mas também tolerância e paciência! Mesmo que os homens estejam esfomeados e alcoolizados, seja por motivos de sobrevivência, fracassos econômicos, resultado de descasos sociais ou de mentes doentias.

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Cristiano Abreu

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