Segunda, 18 de JANEIRO de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | Senhora de todos os méritos

Publicada em 12/01/2021 às 00h| Atualizada em 12/01/2021 às 15h57

Aquele merecido troféu de atletismo  era um marco esportivo. Havia o conquistado o primeiro lugar numa corrida fora do Brasil. Tem mérito maior? Para ela, tinha.

Guardava-o em destaque junto à sua biblioteca. Para que a primeira visita que entrasse em sua casa o admirasse. Ela admirava, tinha sempre satisfação ao olhá-lo. Mas para quê servem mesmo os troféus?

Voltou no tempo, para quando tinha dezoito anos. Época em que achava que a ginástica a sustentaria pela vida. O mundo dá muitas voltas.

E agora, atleta sem tanto brilho, segue remoendo o passado. Pensando nas competições que perdeu. O único troféu estava ali na estante, entre os livros. Dourado de boas lembranças. Jamais esqueceu o fato.

Vencer é sempre uma satisfação.

Talvez se ela tivesse continuado, o atletismo lhe daria a sustentação necessária para viver mais confortável. Mas ela desistiu. Optou por um casamento complicado. 

Passar necessidades, cozinhar, lavar e se lambuzar de chocolate. Até perder suas formas físicas. Engordou, e os músculos adormeceram. Sua silhueta a muito não é a de um corpo torneado. Os gregos não mais a inspiram.

Pensava às vezes, que nem era mais atleta. Ah... senhora de todos os méritos! Por onde anda seu propósito de vida? Em tudo e por todos não era genial. Vivia, fazia, acontecia...

Seu mérito ficou no passado.Talvez naquela hora exata do recebimento do troféu. Num minuto de autoestima elevada.Talvez no aprimoramento do esporte. Naquela ruga em espiral que ela trazia na testa. Talvez numa carreira promissora fora do País.

Mas não. A escolha talvez tenha sido errada. Já que na vida, além de sucesso, cabem muitos fracassos. O dela foi de esperar demais. De desistir demais. De ter medo dos enfrentamentos.

Para um mérito ser um excelente mérito, é necessário corresponder. Acordar às seis da manhã. Treinar. Definir o foco. E jamais desistir. Porque ao desistimos, abdicamos do nosso mais sagrado: a intenção. Sem foco e intenção, não temos certeza se o caminho é certo.

Para ganhar é preciso competir. Para competir é preciso esforço.

Mesmo entre livros, o reluzente troféu dourado está lá. Como prova cabal de seu efêmero sucesso. Certeza de que em algum lugar do passado, houve alguém que venceu. Ela agora está grisalha, relembrando o passado. Mas teve um dia na sua caminhada terrena em que ela subiu ao pódio, saboreando o gosto da vitória. Na mente e no fundo da alma, seus músculos continuam fortes. Por isso ela ainda reserva um desejo. De mais uma competição. Dessa vez, inteiramente focada. Dessa vez, em caráter veterana. Dessa vez, na certeza que vencerá.

Pois já venceu!

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