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Crônica

Ana D`Avila | Separação conjugal

Publicada em 16/02/2021 às 00h| Atualizada em 16/02/2021 às 11h47

A mala cheia de roupas voou pela janela. Arremessada com ódio e vingança do quinto andar até ao pátio do estacionamento. O prédio era pequeno, mas a briga era grande. O casal vivia há mais de vinte anos juntos. Contudo, nos últimos dois anos a coisa não estava nada amigável. Todo dia havia desentendimentos. Talvez o tédio da relação tenha ocasionado tudo. Ou talvez algum outro motivo que a psicanálise explicaria.

Ela foi à Justiça requerer seus direitos. E ele foi para o apartamento da praia. Ali, entre o sol e as dunas, teria mais cabeça para resolver o imbróglio. A coisa foi tão séria que ela, numa fúria conjugal, até o agrediu. Ele a interceptou. Mas a culpa ficou com ele. Na delegacia, ela fez um BO (boletim de ocorrência) acusando-o de agressão. Ele era um tipo mignon, mas homens têm sempre mais força muscular do que as mulheres. Explicou tudo para o delegado, mas o homem da lei deu razão à ela.

Eles possuíam dois apartamentos. Um em Porto Alegre e o outro no litoral. Como era fevereiro, verão  a pino, ele até que não achou má a ideia de veranear um pouquinho em caráter “solo”. Mas depois de dois meses na praia resolveu ir à Capital, com mais fôlego, espiar a situação. Chegou na Azenha, onde morava, e viu que a patroa havia trocado a fechadura do apartamento. Estava literalmente na rua, numa situação nada confortável. A mulher estava muito magoada com ele. E ele, numa guerra crucial com a dita esposa.

A intenção dele, além de espiar a cônjuge, era trazer mais alguns pertences para a praia, pois o conteúdo da mala jogada pela janela no dia da briga já não era suficiente. Faltavam bermudas, regatas, enfim roupas de praia. Na fúria da patroa, não houve tempo para selecionar roupas. A mala sim era vistosa. Mantida em cima do guarda-roupas desde o tempo da Lua de mel. Agora o mel se transformara em fel. E dê-lhe desentendimentos.

O único filho do casal, já adulto, tentava acalmar os ânimos. Mas via que todos os dias a briga só evoluía. Até que no Fórum aconteceu o desfecho.

Advogados de ambos sentaram-se na sala para a audiência. A patroa requeria os dois apartamentos. E foi bem ríspida. “Para que ele quer ter moradia própria”, questionou ela, solicitando ainda uma pensão mensal de R$ 5 mil. Ele não era empresário, como poderia ficar sem residência e ainda arcar com uma despesa mensal deste tamanho?

O juiz analisou. Sugeriu a partilha dos bens. Cada um ficaria com um apartamento. Acerto feito. Aos resmungos dela, que queria tudo em seu nome.

Ele resolveu ficar na praia, embora sentindo falta da Capital e da família. Funcionário público aposentado, e fumando como um desesperado, contou sua história para o vizinho no prédio onde atualmente mora. Lamentou: “É, amigo... separação é a parte ruim do casamento”. De quebra e, para sua felicidade, ele ficou de posse do cachorrinho do casal. Que com olhar triste, o acompanha nas  caminhadas agora, empreendidas pelas brancas areias do litoral gaúcho. Em seu acertado exílio de praia.

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Cristiano Abreu

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