Quinta-feira, 13 de MAIO de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | A garrafa e os rastros na areia

Publicada em 23/03/2021 às 00h| Atualizada em 23/03/2021 às 12h20

A garrafa ia e voltava, se enroscando nas ondas desde o fundo do mar até a praia. Estava suja, parecendo enferrujada. Curiosos a olharam e imaginaram mensagens. Os mesmos que, após a chuva, atrelaram seus rastros na areia numa época de pandemia, que assusta toda a população do Planeta. Curiosos cujos rastros se estendem não só na extensão da praia gaúcha, mas em todas as praias do mundo. São passos impressos na leveza da areia.

A mensagem dentro da garrafa permanece incompreendida. Talvez seja de algum pirata. Talvez de alguém pedindo socorro. Ou de alguma donzela suplicando contato masculino. Sabe-se apenas que a garrafa chegou com a maré. Quem a havia jogado dentro do mar ninguém sabe.

Não toquei na garrafa. Nem poderia. Segredos do mar devem ser guardados, analisados com cuidado. E se dentro dela houvesse alguma bactéria desconhecida, que saltaria lá de dentro com ímpetos assassinos, talvez matando a pessoa que a abrisse, tal qual um filme de terror? Ou seria de algum remetente brincalhão divertindo-se com o desfecho da história. Seria facilmente encontrada?

Assim, empurrada pelas ondas, aguçou a  curiosidade dos passantes. Humanos, cheios de medo das já conhecidas bactérias atualmente circulando pela Terra. O que a garrafa conteria? Ninguém sabia.

Fiquei por alguns minutos fazendo uma análise. Não era uma garrafa de vidro. Mas de plástico. Portant,o estaria no mar há uns poucos anos. O plástico ganhou o mundo depois da segunda guerra mundial. Por volta de 1947.

Ela veio de longe? Poderia ter vindo do norte do Brasil ou até mesmo da África? Na melhor das hipóteses, poderia conter um tesouro. Algum ser exótico viajando de barco a teria jogado propositalmente ao mar, contrariando ecologistas que hoje lutam pela preservação ambiental do Planeta?

Uma garrafa viaja extensões longas. Atualmente são cinco bilhões de toneladas de plástico jogadas nos oceanos. Certa feita, um milionário em viagem marítima jogou ao mar cinco garrafas contendo bilhetes. Ele queria saber o resultado de sua aventura. Se alguma pessoa achasse uma delas e que reação teria.

A aventura foi divulgada num jornal europeu. Mas para a surpresa do inventor da brincadeira, ninguém respondeu. Supondo-se que nem toda mensagem colocada em garrafas no mar chega a algum receptor.

O sol chegou e fez a garrafa brilhar. Mais ainda os rastros dos transeuntes praianos. Eu não quis saber o que a garrafa continha. Nem conheci a real ansiedade que acompanhava todas aquelas marcas de pés estendidas na areia.

Talvez eu não seja tão curiosa como imagino ser. Ou tenha medo do gênio da garrafa. Ou mais ainda de gravar meus pés naquela areia tão mole, que parecia movediça, e que marcou aquele final de verão no litoral norte gaúcho, como registro de que muitos humanos passaram por ali. Desesperados   e ansiosos. Caminhando de um lado para outro. Como loucos num hospício. Procurando fugir de tudo e de todos.

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Cristiano Abreu

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