Sabado, 10 de ABRIL de 2021

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Crônica

Ana D´Avila | Portugal muito ’gira’

Publicada em 30/03/2021 às 12h| Atualizada em 30/03/2021 às 14h09

Na linguagem coloquial lisboeta, a palavra “gira” quer dizer: bonito, bom, lindo. Foi o que senti quando aquele imenso Boeing aterrissou em terras portuguesas. Comissários abriram as portas traseiras da aeronave. Um cheiro forte de neblina e de mar mexeu com meu olfato. Após viajar nove horas sobre o Oceano Atlântico, encantei-me ao primeiro olhar com as ilhas dos Açores. Coloridas e esplendorosas.

A chegada no Aeroporto da Portela de Lisboa aconteceu por volta das 15h de um domingo. Nas ruas, poucas pessoas. No residencial onde me alojei, a voz de um garoto português chamou minha atenção. Ele gritava com seu gato, um bichinho atrevido que escapou escondeu-se nas proximidades. O felino chamava-se “Bolinha”. E foi o primeiro sotaque português castiço que escutei na minha chegada. Depois, desci para apreciar o domingo no centro de Lisboa. Ruas estreitas e um silêncio civilizado.

Na segunda-feira, as cafeterias estavam abertas, e muitos restaurantes exibiam seus pratos. A hora do almoço é sagrada para os portugueses. No cardápio, em sua maioria, peixes e crustáceos. Uma imensa lagosta navegava num aquário na vitrine do estabelecimento. Para ser escolhida e consumida por turistas ou pelos próprios portugueses. As sobremesas são inconfundíveis. Um capítulo à parte. Entre elas, a banana. Que lá, é artigo de importação. Sofisticam-nas colocando nelas cremes e licores. Uma delícia!

Sentei-me na cafeteria mais famosa de Lisboa, onde o poeta Fernando Pessoa escrevia versos e era notório frequentador. Chamava-se “A Brasileira”. Doces maravilhosos eram servidos, alguns conhecidos dos brasileiros, outros nem tanto. Também serviam bebidas e, nas tigelinhas, muito amendoim. Fernando Pessoa tem sua cadeira preservada dentro do café, que fica no bairro do Chiado.                              

Nesta primeira semana, Lisboa se descortinou para mim. Aquela mesma maresia que senti na chegada àquele País foi bisada. Senti um forte cheiro de mar. Visitei pontos turísticos, entre eles a Torre de Belém, de onde um dia partiram os descobridores do Brasil. E o Castelo de São Jorge, épico com seus canhões e escadarias medievais.
Portugal é antes de tudo, muita cultura. Nas redondezas da cidade existem belas praias do Atlântico. Como Estoril e Cascais.

Portugueses são educados e cultos. Em qualquer local onde passei, percebi a diferença do Brasil. Os jovens frequentam muito as cafeterias e livrarias. E seus assuntos na maioria são ligados à cultura. Discutem obras de autores portugueses e têm uma visão ampliada da literatura dos famosos de todo mundo. Muitos portugueses falam seu idioma, mais o francês e o inglês. O povo é assim. Motoristas de táxi trabalhando em sua maioria com modelos de carros Mercedes Benz. Falam, da mesma forma, dois ou três idiomas. Conforto e cultura se aliam.

Quase um ano depois, voltei ao Brasil e tive aquele choque cultural. Coitados de nós brasileiros! Como seria bom rever Portugal e absorver novamente toda aquela cultura. Como seria bom se a educação ensinada no Brasil tivesse a expansão e a seriedade que a portuguesa tem.

Ah... se a pandemia fosse embora! Eu também iria! Sabiamente para Portugal. Um país encantador em todos os aspectos. Crianças lá aprendem a pedir desculpas, a agradecer e a respeitar. Estudam diariamente das 9h até as 16h. E é regra irem dormir às 21 horas.

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Cristiano Abreu

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