Sexta-feira, 18 de JUNHO de 2021

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

Crônica

Ana D`Avila | Curiosa figura

Publicada em 04/05/2021 às 00h| Atualizada em 04/05/2021 às 14h08

Ele era um homem instigante. Cinquenta anos de idade e dono de uma fidelidade quase integral. Não traía. Não frequentava cafés, não tomava espumante, nem vinho. Nem piscava para mulher que não fosse a Mariazinha.

Um verdadeiro gentleman em sociedade e um incorrigível tarado nas madrugadas fronteiriças. Aos vinte anos, apaixonou-se por uma alemãzinha, que muitas vezes o nocauteava no amor. O sexo era ardente. Mas o mundo dá muitas voltas. Não foi com ela que ele casou.

Na Universidade, no curso de Engenharia, conheceu Mariazinha. Dona de um nariz arrebitado e uma boquinha redonda, na contramão dos bocões das mulheres de hoje. Não tinha lábios grossos, somente uns olhos alucinados. Ele vibrou com esta namorada, apaixonada pela arquitetura antiga das cidades brasileiras.

O namoro deles, dia após dia, se transformava numa louca paixão. Foram parar na cama. Ela conheceu a intimidade da curiosa figura. Ele tratava as colegas da Faculdade por “meninas”. Para elas, mostrou suas predileções. Transmitia uma certa espiritualidade, o que fascinava tais acadêmicas, que o tinham como a um santo. Talvez elas exagerassem nas observações.

Para Mariazinha, ele se rendeu. Não por que ela tivesse dinheiro, nem que fosse bonita. Não era... tinha saldo bancário zero e uma beleza duvidosa. Mas ela possuía uma aura misteriosa e que o fascinava.

Deitados na cama numa quase lua de mel, traçaram planos para a vida. Ela sonhava comprar uma casa grande, estudar idiomas e viajar. E ele queria ser pai de um menino. Adorava crianças. Após três anos, os dois concluíram a Universidade. O maior orgulho deles era serem chamados de “doutores”. Como se um título os definisse. Não eram tão bondosos assim. E até viviam seus egos com uma certa arrogância. Mas as construções, as plantas arquitetônicas, os tijolos e os alicerces os encantavam.

Numa manhã primaveril, ela contou para ele que estava grávida. Ele pensou no gurizinho que tanto sonhava, cheio de virilidade. No provável engenheiro que se tornaria. Pensava nos sobrinhos que tinha. E no futuro, jogando futebol, naquele campinho próximo de casa.

Mas após nove meses, nasce Sabrina. Para seu desencanto, agora era pai de uma menina. O que não o entristeceu, embora não fosse o que ele sonhará. Mariazinha se encantou com a filha, que recebeu nome e sobrenome do pai, embora não fossem casados.

Estabelecidos em Rivera, na fronteira do Brasil com o Uruguai, vivem seus dias com muito sexo e trabalho. Montaram um escritório e passam as horas recebendo clientes para as construções. Todas muito sólidas e gerenciadas pela dupla.

Ele? Continua na área do planejamento e montagem de casas e apartamentos. Ela? Não era tão boa profissional. Tenta imitá-lo em tudo. É ciumenta, também. No trabalho, nem sempre consegue um final feliz. Adora a profissão e a pequena Sabrina.

A figura curiosa é excelente engenheiro. Portador de um abençoado gosto musical e de um excelente dote físico. Ela cuida da filha esperando a festa dos 15 anos. E dos vestidinhos cor de rosa que por certo encomendará para a costureira da cidade. Fazendo da menina uma verdadeira princesa. Como nos desenhos de Walt Disney.

Últimas Ana D`Avila

Cristiano Abreu

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9962 3023
[email protected]

Rafael Martinelli

Editor
[email protected]

Roberto Gomes

Diretor
[email protected]

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS