Sabado, 16 de OUTUBRO de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | Indelével

Publicada em 18/05/2021 às 00h| Atualizada em 18/05/2021 às 14h21

Postada em frente ao espelho, observou suas pupilas dilatadas pelas indeléveis paisagens e objetos contemplados minutos antes. O carreiro de formigas entrava no formigueiro. Numa curva sem fim. Muitas traziam fardo bem pesado.

Naquela confusão de folhinhas, pedaços de flores e galhinhos de árvores caídos na grama. Que festança haveria hoje no formigueiro? Tanta comida para quê?

No compasso lento dos pés do senhor grisalho, algumas formigas foram esmagadas. Prensadas lado a lado por aquele chinelo enorme que elas, as formigas, nem conheciam. Mas a vida, além de trabalho, é sofrimento.

As formigas sofriam com os seres maiores. O velho, de visão comprometida pela idade, pisou nelas sem intenção de guerra. Mas acabou matando-as. Coitadinhas!

Distante cinquenta metros dali, muitas conchinhas vagavam na beira da praia, num movimento suave, no chão úmido pela maré que subia. Já não estavam inteiras, a poluição impregnou-as de deformidades. Eram somente metade conchas. O tempo tirou delas o brilho original.

Também diminuíram de tamanho. Incompletas e feias, não causavam mais nenhum impacto ou atenção.

No gramado, ao lado da praia, um jovem casal passeia. Na contramão, surge uma mulher morena, sozinha, de cabelos longos e bonita. Cruza com eles. O ciúme impera. A mulher acompanhada vê um motivo para brigar. “Por que tu olhas assim para ela”? O namorado, um tanto vermelho, se esquiva da resposta. Porque era bonita, indaga a namorada? “Tu enxergas coisas onde não existe nada”, concluiu ele, esquivando a mãos que antes o unia à namorada. Sem falar no semblante decepcionado que agora assumia.

Seis e meia da tarde. O sol abrasador de mansinho some da praia. Os mais velhos lamentam o dia ido. Os namorados continuam caminhando e discutindo. Por ciúmes, bobagens e fatos sem sentido.

As formigas estão em festa. A lua surge mansa no céu de maio. Quando noivas casam. Quando mães são homenageadas. Num compasso de vida exaustivo e indelével. Com tantos fatos que não se pode mudar.

Existiram. Agora não existem mais.

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Cristiano Abreu

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