Sabado, 16 de OUTUBRO de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | Casa pequeninha

Publicada em 29/06/2021 às 00h| Atualizada em 29/06/2021 às 12h03

A casinha estava localizada numa rua tranquila. O bairro era popular. O casal que ali residia era idoso. Lá dentro, experiência de vida, lembranças e dois gatos de estimação.

Não tinham muitas poses, e nenhum empregado para ajudá-los. Os dias transcorriam dentro de uma certa rotina por vezes cansativa. Noutras até com algum humor.

Dona Matilde e seu José somavam suas idades e riam. Juntos, tinham 150 anos, o que de certa forma era um prêmio. Ou não. Eles não tinham nenhuma doença grave. Eram, dentro de suas possibilidades, felizes. Ela enxergava bem. Ele tinha catarata num dos olhos.

Se exercitavam diariamente para que seus músculos não atrofiassem. Todas as manhãs, faziam uma espécie de terapia física. Alongamento, ainda na cama.

Depois levantavam para o café, sempre movido a pão, ovos e frutas. A pequena aposentadoria dos dois era sagrada. O foco dos gastos era com a alimentação. Assim viviam.

Os gatos da casa insistentemente miavam, pedindo comida também, para um começo de dia saudável. Para os felinos, compravam suculenta ração de peixe a granel no pequeno armazém da esquina. Era mais barato do que as alimentações “de grife” ofertadas no supermercado.

Matilde não entendia nada de computação, mas seu José ameaçava uma certa desenvoltura. Ganhou, no dia do aniversário, um tablet do filho. E neste aparelhinho, ele ficava sabendo das notícias do bairro, da cidade e do Brasil. Achava aquele equipamento maravilhoso. Numa tarde, quis entrar para a rede social, mas não conseguiu. “Era necessário muito entendimento”. Ele tinha pouco estudo... Quando chegou a hora de colocar o e-mail, titubeou. Não tinha e-mail. Nem ela.

A casinha possuía um pequeno pátio, que foi preenchido por canteiros de alecrim, de arruda e manjericão. E uma plantação de rosas, a flor preferida de Dona Matilde. Quando chegou a primavera, foi uma festa. Os pequenos brotos se transformaram em lindas e coloridas flores.

As rosas foram parar num vaso dentro da casa. Elas agora eram um atributo a mais no gostoso e rotineiro café das manhãs. Um dia, o único filho do casal foi visitá-los e achou linda a mesa posta e florida, como quê brindando a vida, que seguia naquele lugarzinho de sol, esquecido da maioria das pessoas. Esquecido, mas que encantava em seus pequenos detalhes. Cortinas de filó, esvoaçantes nas janelas, rosas na mesa do café e dois gatos atrevidos e famintos chamados Bóris e Lusbel.

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Cristiano Abreu

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