Sexta-feira, 17 de SETEMBRO de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | O bailarino de pantufas

Publicada em 07/09/2021 às 00h| Atualizada em 07/09/2021 às 12h11

Foi assim, com a pretensão de amar a todas as mulheres, que ele saiu de casa para se divertir. Era um homem alegre, bem humorado. Alto astral.

E não existia um só ser humano na face da terra que não desejasse estar na companhia dele. Homens, cães e, logicamente, mulheres. Que amava, mas também criticava. “Ah, as mulheres”!
Era seu refrão.

Para interagir com ele, era necessário pensar num palco. Ele era teatral. Gesticulava, falava e, evidentemente, dançava com maestria.

Naquela noite, saiu de casa para dançar. Na danceteria, um mundo de sons, luzes e belas mulheres o aguardava. Foi a apoteose quando a música mecânica tocou Raul Seixas.

Bem alto, frisava que preferia ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. E interagia com as mulheres com passos cronometrados e piscadas atrevidas. Eram muitas desejando participar do seu bailado espontâneo e cheio de vida.
“Eu quero ser feliz”, gritava.

Morador de uma praia gaúcha, veio residir perto do mar por conta de seu divórcio. A ex-esposa ficou morando em Porto Alegre, ele chegou na praia para curtir manhãs e tardes ensolaradas com tempero tropical. No litoral, estava feliz. Com seu aparelho de som a tiracolo, seus vinhos, seus cigarrinhos, seus pratos apimentados e sua bela e atual companhia: uma loira bem animada parecida com a atriz Brigit Bardot.

O seu amor de agora, era um tipo encantador. Morava há trinta e cinco anos em Lugano, na Suíça. Conheceu pessoalmente o escritor Paulo Coelho, por quem mantinha grande carinho.

Agora, na beira-mar gaúcha, conheceu o bailarino de Porto Alegre. Numa noite de alegria e vinho, saiu de casa com suas coloridas e gastas pantufas de inverno, sem se importar com elegância em sociedade. A festa e o bailado duraram a noite inteira. Nos pés, aquele toque hippie e colorido, que em verdade, o libertava.

Confortáveis e únicas, sustentaram toda sua alegria naquela noite de amor e música. A vida, dizia, é “procurar a felicidade”. E ela, apesar do caos humano, ainda existe. 

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Cristiano Abreu

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