Terça-feira, 07 de DEZEMBRO de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | A cachorrinha estressada

Publicada em 09/11/2021 às 00h| Atualizada em 09/11/2021 às 13h49

Passeando com uma coleira-guia estilosa, ela cruzou a praça.Com  sua tutora estava no litoral, mas notava-se seu desconforto com a calmaria da praia. Residia na movimentada Padre Chagas, no Moinhos de Vento, desde seu nascimento. Trânsito, barulhos e confusão faziam parte do seu mundo. Estava na praia apenas por um final de semana. Sentia-se um cão estranho.

De olhar angustiado, rabo no meio das pernas e muito fugidia. Estava assustada. Sentia a mudança no ar, na areia, na praça e no próprio silêncio do lugar. Não estava acostumada a ser “zen”. Em Porto Alegre tudo que ela testemunhava era correria, disparada e violência. Que lugar estranho seria este agora? Deveria imaginar.

Parecia se cuidar de algum imprevisto. Sentia-se ameaçada, como todo habitante das grandes cidades brasileiras costumam estar. Em alerta.

Ao contrário, os cachorros que moram junto ao mar são tranquilos. A maresia com o oxigênio puro os tranquiliza. Eles não latem nas pessoas. Dormem. São saudáveis, mas mansos. Os mais atrevidos só fazem aquelas correrias caninas quando passam por bicicletas ou carros.

Cachorros não gostam de pneus. Ou estão testando suas velocidades. Sempre perdem. Automóveis sempre serão mais rápidos.

A dona da cachorrinha chamava-se Renata. Estava achando esquisito o comportamento do animal. A cachorrinha tinha pelagem branca, porte médio e chamava-se Belinha. Desde que chegou à praia na sexta-feira já parecia assustada. Passear na rua e ver o mar, para ela, foi assustador. Cheirava tudo que encontrava pelo caminho. E deste ato, surgia um certo impacto.

A tranquilidade para ela, acostumada com pressa e poluição, estava dando efeito contrário. Sentia-se desconfortável.

Passou todo sábado e domingo nervosa. Desconcertada mesmo. A dona percebeu um certo estresse no bichinho. Que pelo visto, odiou o final de semana no litoral. Renata, a tutora, retrucou: “Isto vai  passar”. E realmente passou, assim que ela avistou a Freeway e aquela movimentação toda rumando de volta para a Capital.

Belinha, aos poucos, foi voltando ao normal. Era urbana.
Profundamente urbana.

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Cristiano Abreu

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