Terça-feira, 07 de DEZEMBRO de 2021

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Crônica

Ana D`Avila | Botecos de praia

Publicada em 16/11/2021 às 00h| Atualizada em 16/11/2021 às 13h04

Um dos espaços mais democráticos da orla gaúcha é, sem dúvida, o boteco de praia. Nestes lugares tudo é etílico. Tudo é risada. Tudo é descontração.

São frequentados por pessoas de faixa etária variada, mas com aceitação de todos. O ar marítimo empresta um visual agradabilíssimo, e os guarda-sóis multicores ofertam uma proposta única de bem-estar.

Aos sábados e domingos são bastante visitados pelos jovens. Os proprietários destes estabelecimentos capricham na musicalidade. O som algumas vezes é mecânico e ao vivo aos fins de semana. Nestes dias, cantores e instrumentos fazem a festa. Depois de algumas cervejas o pessoal cansa do "papo legal", arrasta mesinhas e cadeiras em busca de espaço para dançar.

Os mais jovens gostam de rock, o cantor gaúcho Armandinho remete à temática do surf, do amor e do mar. O repertório do eterno Raul Seixas tem sempre destaque. A música "Maluco Beleza" parece ser uma das preferidas desta galera, que canta com os músicos. E sempre fazem sucesso.

Quando todos parecem embriagados o vozerio se avoluma. É geral. Na barulheira de sons musicais, de explosão de espuma das tampinhas de latas e garrafas de cervejas, surgem os dançarinos de praia. Eles e elas se animam.

Gurias com tiaras coloridas na cabeça se misturam com os tios de cabelos brancos. Há espaço para a paquera, os flertes de praia. Com muita diversão e data certa para terminar: junto com o fim da estação.

Num sábado destes, atípico em dias de verão, fazia calor e chuva. Ninguém nos botecos de praia deixou de beber e dançar. Ali agora apareciam as "lobas", denominação das mulheres de mais de 50 anos liberadas e festivas. Elas tomavam conta do lugar. Umas arrumavam parceiros para dançar. Outras, talvez mais emancipadas, contentavam-se com sua própria presença. Dançavam sozinhas. Sem dispensar o copinho de cerveja, que parecia segui-las em todas as direções sem autorização.

E assim iam conhecendo também o cardápio do boteco, alicerçado principalmente nos etílicos e na água de coco. No Rio de Janeiro, num destes quiosques junto à praia, o pessoal sofisticava. Serviam água de coco com uísque. Mas o básico, lá e aqui no Sul, é a cerveja, seguida de apetitosos acompanhamentos como bolinhos de aipim e pastéis de queijo e camarão.

Diversão e a culinária são a tônica destes ambientes. Mas temas sérios também são levados aos botecos pelos senhores cinquentões. Debatem política, negócios e futebol. Gremistas e colorados se dividem nas discussões. Os frequentadores até se provocam do alto de suas camisas tricolores e vermelhas. E as mulheres, por sua vez, com cangas inspiradas e decoradas com as bandeiras dos dois principais times de futebol dos gaúchos.

As ondas do mar fluem. O pessoal brinca. É verão. E apesar das águas das chuvas, volumosas e imprevistas, se divertem. Com suas peles bronzeadas, suas opções políticas e esportivas bem definidas. E, principalmente, com a alegria que o verão, a praia e o mar sempre trazem.

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Cristiano Abreu

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