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previdência

Adicional na aposentadoria. Quem tem direito?

Publicada em 23/07/2018 às 11h37| Atualizada em 05/07/2019 às 15h06

por Andrio Santos

O artigo 45 da Lei de Benefícios da Previdência Social prevê que o aposentado por invalidez terá direito ao adicional de 25% no valor da aposentadoria caso necessite de assistência permanente de terceiros. A lei ainda permite que, com o adicional, o aposentado poderá receber mais que o teto do INSS.

Hoje, se discute a possibilidade de conceder o adicional aos titulares de outras aposentadorias (por idade e por tempo de contribuição), desde que comprovem a necessidade de acompanhamento permanente. A legislação prevê o acréscimo apenas aos titulares de aposentadoria por invalidez, porém, advogados previdenciaristas defendem a tese de que, em respeito ao princípio da isonomia (igualdade) nos benefícios da previdência, o adicional seria devido também às outras aposentadorias.

A Turma Nacional de Uniformização, órgão recursal dos Juizados Especiais Federais, firmou entendimento de que qualquer aposentadoria daria direito ao adicional caso o aposentado necessitasse de acompanhamento. Os juízes federais alegaram que o objetivo da norma é dar assistência aos que precisam de acompanhamento, independente da espécie de aposentadoria que recebem. Também existem decisões do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que admitem a concessão do adicional às demais aposentadorias.

Como o tema ainda é bastante divergente, o Superior Tribunal de Justiça determinou a suspensão dos processos que discutem tal possibilidade até o julgamento do Recurso Repetitivo — Tema 982 —, onde a Corte tomará decisão que deverá valer para todo o país. O TRF4, em Porto Alegre, também possui Incidente de Demanda Repetitiva aguardando julgamento para debater a matéria com todos os desembargadores que julgam ações do INSS.

Se a tese dos advogados previdenciaristas se confirmar nos tribunais, quem se aposentou por idade ou por tempo de contribuição e necessite de acompanhamento permanente também poderá requerer o adicional.

No momento, o INSS indefere imediatamente pedidos de adicional de 25% para outras aposentadorias senão a por invalidez. Nestes casos, o aposentado poderá ingressar com ação judicial e o processo ficará suspenso aguardando a decisão do TRF4 (para ações que tramitam na Região Sul) ou do STJ.

Para quem recebe aposentadoria por invalidez, basta agendar perícia médica junto ao INSS para comprovar a necessidade de acompanhamento. Caso o perito da previdência não reconheça a necessidade de acompanhante, o aposentado também poderá recorrer ao Judiciário e requerer perícia judicial.

Os peritos costumam analisar se o aposentado necessita de terceiros para realizar as atividades da vida diária, como higiene básica, alimentação, locomoção, etc. A Instrução Normativa do INSS (norma interna que orienta os servidores da previdência) ainda exemplifica casos em que deverá ser concedido o adicional:

  • I - cegueira total;
  • II - perda de nove dedos das mãos ou superior a esta;
  • III - paralisia dos dois membros superiores ou inferiores;
  • IV - perda dos membros inferiores, acima dos pés, quando a prótese for impossível;
  • V - perda de uma das mãos e de dois pés, ainda que a prótese seja possível;
  • VI - perda de um membro superior e outro inferior, quando a prótese for impossível;
  • VII - alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e social;
  • VIII - doença que exija permanência contínua no leito; e
  • IX - incapacidade permanente para as atividades da vida diária.

Lembrando que a lista é exemplificativa, portanto, o perito deverá analisar caso a caso.

Para conversar sobre o assunto, trazer dúvidas ou sugestões de temas, envie e-mail para [email protected].

 

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