Quarta-feira, 03 de JUNHO de 2020

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

3º Neurônio | comportamento

Do lado esquerdo, Manu Tenorio em dezembro, do lado direito nesse final de semana

Doutor, quero me parecer com minha selfie

Publicada em 22/08/2018 às 17h18

Cada vez mais requisitantes de cirurgias plásticas tentam parecer com suas fotos retocadas em filtros de aplicativos. O Diário recomenda e reproduz o artigo publicado pelo El País

 

Nós nos acostumamos a nos ver com orelhas de cachorro sobre nossa cabeça e até com olhos totalmente desproporcionais. Os filtros de aplicativos como o Snapchat, Instagram e Facetune permitem que mudemos a aparência física a nosso bel-prazer. Muitas vezes porque a selfie ficou muito escura, mas em outras será para ressaltar as maçãs do rosto e clarear a pele. Esses apps se transformaram em verdadeiros laboratórios fotográficos digitais à procura da aprovação social do like e, para um número cada vez maior de pessoas, delas mesmas. Os pacientes de cirurgias plásticas que querem se parecer com seu eu do celular aumentaram no último ano. Esse fenômeno tem nome graças a um artigo da doutora Neelham Vashi na revista de cirurgia plástica JAMAdismorfia do Snapchat.

Um estudo da Academia Norte-americana de Cirurgia Facial, Plástica e Reconstrutiva afirma que 55% dos cirurgiões plásticos receberam em 2017 pacientes que queriam operar para sair melhor nas selfies – especialmente adolescentes –. Como Vashi explica na publicação, são pessoas que tentam se parecer com uma versão fantasiosa de si mesmas. “As pessoas levam suas fotos de determinados ângulos e com certos tipos de luz”, afirma. O risco de querermos nos transformar em uma versão filtrada de nós mesmos, de transformar o físico através de aplicativos e de ficarmos obcecados por isso que chamamos de defeitos é cair em um transtorno dismórfico corporal (TDC). “As redes sociais se transformam em um acelerador para esse tipo de pessoa, que se preocupa por como se parece diante dos outros”, afirma a doutora.

O TDC, que afeta aproximadamente 2% da população mundial, de acordo com as conclusões de Martha Giraldo, doutora em psicologia, e Amparo Belloch, professora de psicopatologia, continua sendo um transtorno pouco reconhecido e pouco diagnosticado pela ocultação dos sistemas por parte dos pacientes. “A identificação precoce é essencial no desenvolvimento e andamento do transtorno, assim como na efetividade do tratamento”, afirmam. A dismorfia do Snapchat uniu psicólogos e cirurgiões plásticos, por mais afastados que seus mundos possam parecer. A doutora Ainhoa Placer, especialista em cirurgia plástica e reparadora, ainda não precisou atender ninguém que apareceu em sua clínica de selfie na mão. Ainda assim, sabe qual é o limite ético em sua profissão. “Se suspeito que o paciente tem TDC, não o operaria e o enviaria a um especialista em transtornos mentais”, diz.

A doutora Placer entende que a intenção de se retocar por não gostar do que se vê nos autorretratos está aumentando, ainda que não seja frequente por enquanto, pela quantidade de tempo que passamos diante do celular. “Ele se transformou na câmera de muitas pessoas. As selfies, que não têm o melhor foco, podem maximizar determinados traços dos quais não gostamos e até vê-los piores do que são”, afirma. O problema começa quando a ajuda dos filtros para melhorar uma imagem muda de uma simples edição a nos levar a uma sala de cirurgia.

A exposição pública aumentou continuamente conforme as redes sociais se consolidaram como mais uma opção de consumo tecnológico. Influenciadores, youtubersinstagramers... inúmeras novas profissões que dividem seu exibicionismo cotidiano. Mas o restante dos usuários também se somou ao escrutínio dos demais e chega a ter problemas para discernir entre a vida real e a virtual. Um estudo da Royal Society for Public Health publicado em maio determinou que o Snapchat, o Facebook, o Twitter e principalmente o Instagram afetam mentalmente os jovens. “Exageram as preocupações pelo corpo; pioram o assédio e a insônia; e favorecem os sentimentos de ansiedade, depressão e solidão”, resumiu a diretora da pesquisa, Shirley Cramer, como as principais conclusões após entrevistas com 1.500 pessoas de 14 a 24 anos.

Nessa tendência por se transformar em uma selfie constante, como lembra a doutora Placer, é preciso colocar um pouco de sensatez. “O paciente deve falar com um cirurgião antes de realizar qualquer procedimento, saber as possibilidades de tratamento, conhecer as expectativas realistas para cada caso e avaliar os riscos”, afirma. O sinal da alerta já começou a soar nos Estados Unidos, à margem de todos os conselhos que possam ser dados para prevenir transtornos ainda maiores. O Snapchat conseguiu dar nome a um TDC com sua facilidade para alongar cílios, estreitar cinturas e redefinir mandíbulas. Uma coisa é compartilhar nas redes sociais fotos e outra é nomear, literalmente, um filtro mediante retoques em uma sala de cirurgia.

 

 
Diário de Viamão - O Grupo
Grupo do Facebook · 2.179 membros
Participar do grupo
Grupo apartidário dedicado à divulgação de notícias, opiniões, serviços, brikão e tudo o que você quiser compartilhar sobre Viamão e região.
 

 

Últimas 3º Neurônio

3º Neurônio | opinião
O nojo
3º Neurônio | comportamento
O luto pela velha normalidade: como superar o fato de que nossos projetos desapareceram
3º Neurônio | saúde
Médica fala sobre a ’hora da morte’: As pessoas morrem sozinhas; Sozinhas, sozinhas, sozinhas
3º Neurônio
Por que o bolsonarismo-raiz engendrado nos gabinetes do ódio não terá futuro no Brasil?
3º Neurônio | opinião
Bolsonaro fica nu ao se despir das três bandeiras que o levaram ao poder
3º Neurônio | Humor
Bugigangas pandêmicas
3º Neurônio | Saúde
Fazer exercícios físicos ao ar livre em meio à pandemia é seguro? Os riscos e cuidados necessários
3º Neurônio | Questões de quarentena
Bolsonaro cita CLT e sugere indenização a empregadores; advogados dizem que não é bem assim
3º Neurônio | opinião
O vírus somos nós (ou uma parte de nós)
3º Neurônio | comportamento
Conselhos dos esquimós contra o pessimismo
3º Neurônio | ciência
Estudo genético mostra por que vírus da covid-19 não foi feito em laboratório
3º Neurônio | arte
Explicando, série da Netflix, previu a pandemia do coronavírus
Opinião
Geometria de uma pandemia do coronavírus
Opinião
Ronaldinho Gaúcho e o irmão acreditaram que o Paraguai era terra de ninguém?
Humor
Informalizar é viver
Opinião
Zé do Caixão, um monstro na periferia do capitalismo
3º Neurônio | opinião
Primárias Democratas, disputa política e luta social no coração do império
3º Neurônio | comportamento
Um chefe estúpido pode ser pior para o coração que o colesterol
3º Neurônio | humor
Aliteração da Alteração
3° neurônio
Suicídio: Solução permanente para um problema temporário

Cristiano Abreu

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9962 3023
cristiano@grupocg.com.br

Rafael Martinelli

Editor
rafael@grupocg.com.br

Roberto Gomes

Diretor
roberto@grupocg.com.br

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS