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3° neurônio

Suicídio: Solução permanente para um problema temporário

Publicada em 18/09/2019 às 14h32

por João Batista Andrade, psicólogo

O Rio Grande do Sul, terra que neste mês de setembro celebra mais um ano de independência e que, segundo o poeta, “é um lugar pra viver sem chorar”, infelizmente  lidera o ranking nacional de suicídios. Dado este, que não nos traz orgulho e sim, muita dor e lágrimas. O que nós estamos fazendo para mudar esse quadro?

Altos índices de suicídio em várias regiões do mundo desencadearam a criação de programas e campanhas de conscientização à população, com o objetivo de combater esse mal, cujas vítimas não são apenas as pessoas que cometem o ato, mas também as pessoas próximas que, além da dor da perda, não raras vezes, sentem-se corresponsáveis pela morte do ente querido.

O Setembro Amarelo é um dos movimentos criados para dar visibilidade ao grito de socorro pela vida. Neste mês somos lembrados, de maneira mais intensificada, daquilo que precisamos colocar em prática todos os dias do ano: a valorização da vida. Para valorizar a vida, é necessário, em determinadas circunstâncias, contemplar e valorizar a dor, o sofrimento da outra pessoa. Ou seja, quando valorizamos  a vida , nos dispomos a ajudá-la  a procurar um meio de alívio ou de cura para os motivos que lhe tiram a vontade de viver, ao invés de julgá-la ou criticá-la.

Devemos nos lembrar que a pessoa que dá sinais dos seus planos de suicídio, está clamando por sinais que lhe ofereçam possibilidades de viver; que a pessoa que se suicida, no fundo não quer  morrer, mas  apenas matar a dor que a está corroendo por dentro.

Falar sobre suicídio ainda é um tabu. Muitas pessoas preferem evitar o assunto. No entanto, para preveni-lo, é necessário conhecer os motivos que o provocam, a fim de buscar os melhores instrumentos para combatê-lo.  Infelizmente há muitos mitos e julgamentos em relação às pessoas que se suicidam: são fracas; são egoístas (pensam apenas em exterminar suas dores, sem se importar com as pessoas que sofrem a sua morte), não têm fé, entre outros. Na realidade, a grande maioria dos suicídios está relacionada com transtornos mentais, como: depressão, bipolaridade, dependência química, esquizofrenia, transtorno de personalidade, baixa autoestima. Tais transtornos mentais podem ser causados por: abuso sexual, maus tratos, disfunção familiar, uso de substâncias psicoativas, ansiedade, stress, decepções, desemprego, situação social e econômica, isolamento,  fatores genéticos, entre outros.

Maneiras que podem diminuir o risco de suicídio de um ente querido:

  • Estar atento ao comportamento, fala, interação social;
  • Estar disposto a ouvir, sem julgamentos, mesmo que sejam palavras difíceis de serem ouvidas;
  • Fazer-se presente, procurando entender o que se passa com a pessoa que dá sinais de transtornos ou já foi diagnosticada com algum transtorno mental;
  • Incentivar, insistir, acompanhar a pessoa em consultas ao psicólogo e psiquiatra;
  • Entender e compreender a gravidade do momento que a pessoa está vivendo;
  • Certificar-se que a pessoa está tomando os medicamentos corretamente, quando receitados pelo psiquiatra.

Como evitar o próprio suicídio?

  • Dê tempo pra si mesmo. Faça uma promessa a si mesmo que você não cometerá suicídio por pelo menos 48 horas. O suicídio é uma solução permanente para um problema temporário e nas próximas 48 horas a melhor opção pode aparecer;
  • Deixe a sua casa segura. Quando os pensamentos suicidas estiverem intensos, peça alguém para esconder objetos perigosos. Ou, se possível, passe alguns dias na casa de alguém.
  • Não tente lidar com pensamentos e sentimentos suicidas sozinho. Converse com alguém de confiança. Se não tiver amigos ou familiares com quem possa conversar, há outras possibilidades. O CVV (Centro de Valorização da Vida) tem ajudado muitas pessoas. Ligue para 141 (Atende todo o Brasil) ou 188 (Atende todo o estado do RS). O Centro de Valorização da vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente.
  • Procure ajuda profissional: Consulte um bom profissional da área da Psicologia e leve o tratamento à sério. Se necessário, ele irá encaminhá-lo  também para um profissional da Psiquiatria, a fim de complementar o tratamento com medicamentos. Lembre-se: apenas tomar medicamentos não será suficiente para o seu progresso emocional. É necessário conversar sobre  os motivos que geram os seus sentimentos e pensamentos suicidas.
  • Passe tempo com pessoas que não são críticas;
  • Faça uma lista: das coisas que você tem, das coisas que você ama; das coisas que você gosta de fazer, das pessoas que você poderá chamar quando estiver em um momento crítico.

É importante saber que você talvez nunca estará totalmente seguro quanto a não ter mais pensamentos suicidas. Para algumas pessoas eles desaparecem por completo, para outras esses pensamentos vêm e vão ao longo da vida. No entanto, é possível aprender a lidar com eles para poder viver uma vida feliz e saudável.

Seja protagonista da sua vida!

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Cristiano Abreu

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