Sabado, 19 de SETEMBRO de 2020

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

Humor

Informalizar é viver

Publicada em 10/03/2020 às 00h

O Brasil começou com trabalho informal (ninguém nas caravelas de Cabral tinha carteira assinada) e o trabalho informal vai acabar com o Brasil (logo cada brasileiro será seu péssimo patrão de si mesmo).

O IBGE, cujas estatísticas tomam Rivotril para parecerem estáveis, não atina mais como recensear a população trabalhadora. A dúvida do IBGE é a seguinte: o que restou nesse território informal de 8 milhões km2? Ainda há algum trabalhismo coletivo ou o empreendedorismo individual já tomou conta da nação?

De carro, moto, bike, patinete ou a pé, a informalidade avança sem parar, e sem nunca avisar que vai dobrar à direita. A partir desse beco sem saída chamado mercado, a uberização empregatícia se infiltra. Por onde menos se espera, com o fardo da sobrevivência profissional nas costas, milhões circulam. Entregues à faina, entregam de tudo a todos, descomunal delivery nacional.

Além da vasta classe entregadora, vem a extensa classe prestadora: serviços cuja habilitação maior do prestador é um APP qualquer.

Uma credencial eletrônica a certificar mão de obra desqualificada, tipo ensino à distância, só que mais remoto. Desempregados que só encontram ofícios bem-sucedidos na plena precarização.

E o improviso é sempre genial: o curandeirismo vira medicina acessível, a gororoba ganha rótulo de produto gourmet, o faz-tudo de antigamente agora é múltiplo know-how, o trambiqueiro se tornou digital influencer, o passeador de cães se anuncia como dog walker,

o pistoleiro de aluguel foi promovido a milícia. Cada um se vira como pode, e todos podem cada vez menos.

E o mercado informal imita o capitalismo formal: o catador de sucata, esse herói da reciclagem, é explorado pela máfia do lixo,

o Uber explora motoristas, o tráfico na periferia explora crianças e adolescentes, os políticos exploram os laranjas, enfim, explosão de exploração.

Apertem os cintos: o trabalho sumiu!

Últimas 3º Neurônio

3º Neorônio
7 de Setembro: morte
3º Neurônio | ideias
Cultura do cancelamento: prática autoritária ou voz dos excluídos?
Opinião | Senador Paulo Paim
Mulher: desigualdade, preconceito, violência
3º Neurônio | ciência
Radiografia de três surtos de coronavírus: como se infectaram e como podemos evitar
3º Neurônio | ideias
Preservar vidas ou retomar a economia? Ética de Weber para tempos de pandemia
3º Neurônio | opinião
O nojo
3º Neurônio | comportamento
O luto pela velha normalidade: como superar o fato de que nossos projetos desapareceram
3º Neurônio | saúde
Médica fala sobre a ’hora da morte’: As pessoas morrem sozinhas; Sozinhas, sozinhas, sozinhas
3º Neurônio
Por que o bolsonarismo-raiz engendrado nos gabinetes do ódio não terá futuro no Brasil?
3º Neurônio | opinião
Bolsonaro fica nu ao se despir das três bandeiras que o levaram ao poder
3º Neurônio | Humor
Bugigangas pandêmicas
3º Neurônio | Saúde
Fazer exercícios físicos ao ar livre em meio à pandemia é seguro? Os riscos e cuidados necessários
3º Neurônio | Questões de quarentena
Bolsonaro cita CLT e sugere indenização a empregadores; advogados dizem que não é bem assim
3º Neurônio | opinião
O vírus somos nós (ou uma parte de nós)
3º Neurônio | comportamento
Conselhos dos esquimós contra o pessimismo
3º Neurônio | ciência
Estudo genético mostra por que vírus da covid-19 não foi feito em laboratório
3º Neurônio | arte
Explicando, série da Netflix, previu a pandemia do coronavírus
Opinião
Geometria de uma pandemia do coronavírus
Opinião
Ronaldinho Gaúcho e o irmão acreditaram que o Paraguai era terra de ninguém?
Humor
Informalizar é viver

Cristiano Abreu

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9962 3023
[email protected]

Rafael Martinelli

Editor
[email protected]

Roberto Gomes

Diretor
[email protected]

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS