Segunda, 10 de AGOSTO de 2020

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Opinião

A maldição do quase

Publicada em 11/03/2020 às 00h| Atualizada em 11/03/2020 às 13h56

Muitas vezes precisamos enfrentar situações complicadas que exigem de nossas habilidades de resolver problemas um grau maior de empenho, elevando-as ao próximo nível. Nestes casos, superamos dificuldades e obtemos uma recompensa ao final justificando todo sofrimento. Mas e quando não há nada recompensador depois de uma batalha, onde apenas saímos prejudicados, sem ganhos e nos perguntamos o motivo disso tudo?

Ainda piora se respondermos a pergunta convencidos de não ter sido por nada. Apenas passamos por determinada situação sem benefício algum. Suor e lágrimas derramados sem necessidade. A frustração da derrota pode impedir alguém de crescer e aceitar que a lição não é tão simples de ser compreendida, porque mesmo na ausência de vitórias, podemos ganhar algo muito mais valioso: convicção.

Quanto mais próximos de alcançar um objetivo nos frustarmos, maior será nossa convicção. Apenas aqueles que se esforçaram além do que imaginavam possível e falharam sabem do que estou falando. Reconhecemos como impossível não passar pela cabeça a ideia de que todo esforço foi em vão, ainda mais se perdemos por pouco, se quase conseguimos alcançar algo impressionante, mas não deu e agora precisamos nos contentar com o medíocre.

Nessa hipótese, paira sobre nós a maldição do quase. Depois de desfrutar uma parcela do sentimento de conquista pela proximidade com a vitória, torna-se um pesadelo desempenhar alguma atividade que não contenha aquele gosto. Neste momento nos tornamos convictos, porque a dificuldade de continuar tentando pode ser maior ou menor do que o aceite, o contentamento com a derrota. Se for mais difícil seguir tentando, então de forma muito acertada desistiremos, mas se a dificuldade residir em aceitar, teremos certeza absoluta que devemos prosseguir.

Por isso estamos amaldiçoados, este pouco a mais que diferencia a cara de quem ganha da cara de quem perde não é sinônimo de um pouco mais de dedicação. Para quase alcançar a realização, precisamos nos dedicar muito, mas para eliminarmos esse quase e alcançá-la de verdade, há necessidade de muito mais. A proximidade do “quase” é inversamente proporcional ao esforço necessário para superá-lo. Não é só um pouco a mais, porque para melhorar só um pouco, é exigido muito.

Mesmo assim, encaro essa maldição como uma benção disfarçada, porque me apego e uso-a para aguentar os fracassos no osso e não desistir, consciente de que é melhor ter tido esta experiência e desfrutado deste sentimento. Prefiro sentir saudade dele do que nunca tê-lo experienciado.

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Cristiano Abreu

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