Quarta-feira, 25 de NOVEMBRO de 2020

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Crônica

Gustavo Guedes | O término, o orgânico e a sorte

Publicada em 28/08/2020 às 00h| Atualizada em 28/08/2020 às 11h11

Existe uma sensação nos aguardando ao término das atividades. Finalizar um treino na academia ou completar a leitura de um livro desperta este sentimento de dever cumprido. Em outros casos é ainda mais palpável, como saborear uma deliciosa refeição depois de seguir os passos da receita ou quando, após horas de trabalho duro, usamos a remuneração para comprar algo. Quase todas as tarefas as quais dedicamos nossa atenção, quando encerradas, são satisfatórias.

Quase todas.

Há também aquelas que, finalizadas, apenas nos trazem a certeza de não querer nunca mais repeti-las. Ao direcionar nosso esforço, esperamos ser recompensados, e nenhuma recompensa supera sentir-se bem. Seja pela remuneração ou pelo prazer, buscamos a sensação boa do término. Ela é a responsável por acordarmos em um novo dia dispostos a fazer tudo novamente. Mas se o esforço aplicado não compensa, devemos partir para outro tipo de término: o definitivo.

As maiores frustrações estão no cumprimento de tarefas cujos resultados não são gratificantes. Nenhum prêmio, jamais, será satisfatório se para alcançá-lo for necessário dedicação superior ao quão bem nos sentimos. Menos ainda se após terminar o que devia ser feito, for preciso fazer de novo… e de novo… e de novo… Se frustrar pela falta de retorno financeiro ou emocional na realização de qualquer atividade é o mais natural dos sinais de que estamos no caminho errado.

Na eterna busca por sensações boas, percebi uma tendência minha de nutrir maior interesse pelo orgânico em detrimento do artificial. Não me refiro à alimentação ou estilo de vida naturista. Estou falando de um conceito atribuído ao que melhora com o passar do tempo, depende em parte do acaso, não pode ser substituído e cujo fim pode acontecer a qualquer momento. Ao contrário do artificial, o qual é bom quando novo, piora à medida que envelhece e sempre há possibilidade de substituição por um melhor.

Relacionamentos, por exemplo, são orgânicos. Ou deveriam ser. Começam com o fator sorte desempenhando um papel fundamental e à medida que avançam proporcionam momentos inesquecíveis. As relações precisam de cuidados como um ser vivo, se faltar algo essencial para a sobrevivência, perecerão. Bons relacionamentos exigem confiança. E a confiança com certeza é orgânica. Será adquirida apenas com muito convívio e afinidade e uma única ação descuidada pode comprometê-la para sempre.

Depois que atividades e pessoas, sobre as quais nossos interesses são despertados organicamente, tiverem maior frequência em nossas vidas, perceberemos também a sorte mudando para melhor. Quanto mais nos afastamos do artificial e nos aproximamos do que nossa personalidade naturalmente orbita, mais oportunidades profissionais, amigáveis e amorosas surgem. E o melhor é que poderemos agarrá-las com a certeza de estarmos no caminho certo e do quão gratificante será realizar cada uma.

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Cristiano Abreu

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