Sexta-feira, 18 de JUNHO de 2021

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Crônica

Coluna do Gustavo | Águas calmas são profundas

Publicada em 26/12/2020 às 00h| Atualizada em 26/12/2020 às 19h21

Uma das maiores realizações da vida de qualquer pessoa é descobrir o que está buscando. Viver sem esse objetivo torna nossa passagem pelo mundo tão sem sentido, sem graça, que muita gente acaba, primeiro, tentando compensar sua falta, segundo, pela impossibilidade da compensação ser suficiente, adoecendo. E são inúmeras as possibilidade de doenças que podem ser contraídas pela mente e pelo corpo humano, independente da classe social ou histórico médico.

Pelo quanto consigo acompanhar das pessoas que me inspiram, percebo as vezes que na verdade nossa busca não necessariamente tem um objetivo específico, mas sim uma amplitude de nuances cujo foco sempre é o sentimento. Buscamos emoções. Por isso torcemos e por isso temos esperança. Nossa personalidade se molda orbitando hábitos nos quais encontramos sensações agradáveis. Mas apenas se formos autênticos. Na ausência de autenticidade, quando não se tem confiança nos seus hábitos, habitua-se com o dos outros. Para se encaixar.

Essa forma de agir também alcança emoções, mas não as mesmas boas pelas quais vale a pena viver e lutar. E o lado ruim disso é que nossa necessidade de sentir algo pode nos empurrar para caminhos onde se torna mais fácil encontrar uma forte emoção, mesmo que seja negativa. É por esse motivo que eu busco um sentimento acima de todos os outros, o de calma. Quando vejo alguém suportando uma situação onde é comum os ânimos se elevarem e essa pessoa mantém o controle, lembro de uma colega minha comentado sobre águas calmas serem profundas. Sempre achei bonito isso.

Pode parecer contraditório alguém querer sentir algo de aparência neutra, mas eu explico. Existe uma diferença sutil entre emoções. Em muitos casos é difícil distinguir uma sensação boa, somente alcançada com a total confiança nas nossas atitudes a ponto de nos permitir discordar do estabelecido como normal, de uma que existe apenas para suprir a necessidade de preenchimento de um vazio. E a diferença está na relação de afeto e de posse por este sentimento. O afeto nos deixa focados na conquista e nos entristece por não a alcançarmos, mas nos recuperamos e seguimos em frente, já a posse anuvia nosso julgamento e nos enraivece na derrota, evitando nossa recuperação e incentivando ações imediatas para compensar o dano sofrido, as vezes, em revide, o causando.

A calma é o mecanismo de distinção entre um e outro. Em toda busca, enfrentaremos desafios, e superado o primeiro, haverá o próximo. Uns maiores e outros menores, mas todos serão capazes de nos desestabilizar. Neste momento, antes de ultrapassar a barreira entre onde estamos e onde queremos chegar, antes de alcançar a emoção que nos move e nos enche de esperança, estamos calmos e focados, conscientes das nossas ações e abertos às infinita possibilidades de desfechos, ou estamos nervosos e com interesse disperso, agindo por impulso e tão desesperados por um sentimento que qualquer obstáculo a ele deve ser ridicularizado e menosprezado?

Por isso eu busco a calma. Ela me ajudará na busca pela verdadeira emoção. Aquela que alguém centrado no seu interesse demonstra sentir quando fala ou age de forma tão apaixonada que se torna mais interessante que o próprio assunto, despertando algo em comum com outras pessoas a ponto de, mesmo cada uma estando em seu próprio ritmo e nível, se tornar uma fonte de conexão e criação de uma comunidade. Onde há diversidade, porque a diferença de idade ou sexo ou o que for não tem um papel importante. E a humanidade, por mais estranha, sabe que tudo que hoje existe e é normal, um dia não foi.

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Cristiano Abreu

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