Sexta-feira, 18 de JUNHO de 2021

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Crônica

Coluna do Gustavo | Conversar ou não conversar

Publicada em 29/01/2021 às 00h| Atualizada em 29/01/2021 às 08h15

Ao longo da minha vida, pessoas, fatos e acontecimentos me irritaram. Na verdade, são muitas coisas que me irritam. Antes eram mais, agora são menos. A cada momento que entendo melhor uma situação, maiores são as chances de não me irritar com ela. Há casos onde eu apenas por aceitar não compreendê-los bem, consegui evitar o desgaste inútil que é sentir raiva. Seguindo esta linha, deixei de discutir. Quando era mais novo, eu até gostava de ganhar discussões, mas não gosto mais. Por isso, não discuto. Jamais. Não faz sentido. Duas pessoas querendo discutir nunca vão concordar e por melhor que seja o argumento do outro, não vão aceitá-lo.

Na eterna busca por tranquilidade, identifiquei alguns pontos nos quais a frequência da minha falta de compreensão, apesar do aceite, foi capaz de perturbar minha paz de espírito a ponto de me fazer voltar sempre a este tema para realizar análises mais minuciosas dos motivos responsáveis pelo incômodo. Assim, uma recente descoberta de um foco de irritação melhorou muito minha vida. Percebi que algumas pessoas se relacionam com outras sem nunca se colocar numa situação de vulnerabilidade. Desenvolvem amizades ou se envolvem emocionalmente apenas com quem precisa delas e de quem não precisam.

Este conceito existe com maior força no mundo dos negócios, porque assim, sendo insubstituível e podendo substituir os outros, assume-se o controle. É mais confortável. Porém, aplicar nos relacionamentos pessoais as fórmulas desenvolvidas para sobreviver no mercado econômico é o mesmo que colocar a pessoa com quem se relaciona na posição de seu concorrente. Neste caso, mesmo quem ganha, perde. Quando esta estratégia era aplicada à mim, minha capacidade de não discutir era superada e eu nem percebia. As conversas eram conduzidas com maestria e os argumentos pareciam lances calculados de xadrez, me encurralando numa nova forma de discussão incompreensível. Muito irritante.

Depois de muito refletir, hoje eu entendo estas pessoas e não me incomodo mais. Todas elas, em algum momento de suas relações anteriores, ofenderam-se por uma palavra ou atitude de alguém, gravaram a emoção, não o fato, sentiram-se fracas, vulneráveis, e juraram nunca mais experienciar aquilo de novo, por isso não se permitem estar em posições passíveis de dependência. Por este motivo apenas se relacionam com quem precisa delas, mesmo sem saber o quão solitário isso pode ser. Já pensou criar laços somente com quem precisa da sua companhia e não quem a quer? Esta realidade estaria longe de ser considerada a de um relacionamento saudável.

Como de relações doentias eu quero distância, quando percebo uma tentativa de alcançarem, às minhas custas, por intermédio de atitudes ou argumentos sem nenhum sentido, aquele sentimento de superioridade, evito até conversar com estas pessoas. Para não ser encurralado com frases de efeito fora de contexto, não deixo a conversa avançar. Porque elas não querem dialogar, querem se palestrar. Não querem que eu entenda, querem que eu concorde. Querem se relacionar com os outros sem precisar considerá-los indivíduos. Elas querem o que não podem ter.

Somos todos indivíduos e ninguém deveria nutrir uma relação sem respeitar a individualidade alheia. Ninguém pode ser um mero supridor de necessidades. Como então não me irritar com quem age desta forma? Simples. Há coisas que não precisamos dizer. Quando percebo que a conversa está se encaminhando para eu falar algo como “problema teu”, “faz então” ou “é assim”, digo outra coisa, as vezes até um “tudo bem”. Os inteligentes entenderão o que estou querendo dizer. E para quem não entenderia, melhor que eu nem explicasse mesmo.

Últimas Gustavo Guedes

Cristiano Abreu

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