Segunda, 02 de AGOSTO de 2021

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Crônica

Coluna do Gustavo | A interpretação

Publicada em 01/03/2021 às 00h

Não sei me expressar direito. Existem muitas ideias que gostaria de transmitir, mas me faltam os argumentos ou as palavras certas. Gosto tanto de analisar situações, pessoas e comportamentos e depois reduzi-los a termo em forma de texto como uma maneira de entendê-los melhor e, por consequência, entender melhor nossa sociedade e nosso tempo, e tudo isso com o objetivo final de me entender melhor, mas na grande maioria das vezes, não consigo.

Talvez por isso, uma cena de um filme que eu não recordo os atores ou o enredo, me marcou tanto. Uma personagem para diante de uma paisagem, a qual também não lembro, fica vislumbrada e diz: não tenho palavras, deviam chamar um poeta. Na mesma hora, esta frase fez muito sentido para mim. Faltavam as qualidades para ela transmitir em palavras o cenário admirado por seus olhos, então ao invés de tentar explicar como estava se sentido, sabendo que não teria sucesso, apenas admitiu a incapacidade e reconheceu que alguém com o talento certo seria necessário.

Podemos nos sentir assim as vezes. Em parte pela nossa falta de habilidade na criação de uma narrativa concisa e clara, sem tergiversações e com um linguajar simples, sem repetições maçantes e defenestrando do léxico aquelas palavras inúteis por serem complexas sem necessidade, em parte pela falta de capacidade de interpretação de quem, por má vontade, sem paciência para um aposto, sequer entende uma ironia. Mas não somos responsáveis por como nos interpretam, apenas pela nossa mensagem e por como a expomos.

E cada um de nós tem a sua forma de ilustrar as suas ideias. Alguns iluminados conseguem expressa-las com precisão cirúrgica, atingindo um ponto em comum de identificação com outros seres humanos. Eles são raros. Sempre ouvi dizer que são um em um milhão. Discordo. São um em sete bilhões. Na verdade, são iguais a nós, são um em todos os humanos que já existiram, existem e existirão. São indivíduos. A diferença é que no meio deste coletivo bilionário, conseguiram exercer sua individualidade de forma a criar, ou despertar, afinidade.

Ficou confuso. É porque me faltam as ferramentas para expressar esta ideia. Que frustrante. E vai piorar. Imagino que uma forma melhor de transmitir minha visão seria, exatamente, se fosse possível visualiza-la. Talvez uma imagem seja o meio adequado, mas não sei desenhar. Como não soube ilustrar meu raciocínio em palavras, muito menos saberia em uma pintura, vou unir o pior dos dois mundos e torcer para dar certo, explicando com frases como nossas características únicas, personalidade, interesses afins e como vemos o mundo e a vida, seriam expostos em um quadro.

Partindo do pressuposto que todos temos uma necessidade de sentir e de fazer sentir, ou seja, de interpretar e de expressar, neste quadro precisa haver uma pessoa, e ela seria um filtro entre tudo que metaforicamente a atinge e tudo que ela reflete de volta. Como um funil, absorve de cima ou do lado ou de algum lugar paralelo, tudo que a influencia, o passado, seus medos, ações, expectativas e lições dos outros. Saindo dela, tudo filtrado e jogado no mundo ou nessa dimensão, não como um funil em uma direção só, mas para frente e para os lados, como uma forma de energia, sua projeção do futuro, seus sonhos, aprendizados, preconceitos e atitudes.

Talvez ela esteja quase centralizada, e formando o desenho de uma ampulheta, porque o tempo também deve ser representado no quadro, para cima e para baixo dela, começando com poucas e em progressão geométrica atingindo os bilhões, estarão todas as outras pessoas. Se minha explicação serviu apenas para deixar tudo ainda mais confuso, é porque, como eu disse, não sei me expressar direito e alguém com o talento certo seria necessário para demonstrar que dentro das infinitas possibilidades, apenas uma ocorreu para existirmos, e são infinitas as possibilidades do que podemos fazer com nossa existência.

Últimas Gustavo Guedes

Cristiano Abreu

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