Sexta-feira, 17 de SETEMBRO de 2021

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

Crônica

Gustavo Guedes | Viajar: dois prazeres

Publicada em 07/05/2021 às 00h

Não nascemos para ficar parados. Movimentação faz parte das necessidades mais básicas dos seres humanos. Precisamos vagar. Explorar. Talvez seja da nossa natureza e remonte aos tempos primevos. Gastarmos muita energia e todo tipo de recursos para tornar nossa mobilidade cada vez mais eficiente é prova disso. Entre inúmeros motivos que nos levam a nos mexermos, fazer uma viagem, se não for um dos principais, com certeza é um dos mais prazerosos.

Existem dois prazeres em viajar. O primeiro quando nos deparamos com o novo e exploramos um lugar sem outros compromissos além de desfrutar aquela experiência, despertando a possibilidade de encontrarmos fontes de curiosidade, surpresa, paixão, medo, contentamento, saudade. Tudo isso cabe dentro de uma viagem. E há também a sensação de retorno. Quando nos reconfortamos com o conhecido, o prazer de menos incertezas e a sabedoria que as possíveis oscilações serão enfrentadas sem dificuldades superiores aquelas vividas em lugares distantes e muito mais imprevisíveis.

Em uma das muitas cidades por onde já andei, ouvi bastante uma orientação dos habitantes, sugerindo para eu me perder. Na verdade, “perca-se” é um conselho popular em grandes metrópoles do mundo, acho que é principalmente dita em Nova York, mas pode muito bem ser utilizada em qualquer cidade turística. Aconselhar alguém a perder-se, caminhar por algum lugar desconhecido até achar algo de seu interesse, é uma demonstração de conhecimento e de confiança na sua terra. Só pode ser sugestão de pessoas também habituadas com viagens, que sabem desfrutar um passeio e  sabem encerrá-lo.

Muitas vezes em nossas vidas, se a opção de viajar estiver indisponível, em algumas épocas, pelo motivo que for, enfrentamos situações que parecem viagens, mas desta vez o desconhecido e tudo mais ocorre mesmo sem termos saído dos nossos locais de conforto. Faz parte da vida. Pode acontecer da gente se perder mesmo assim. Tudo bem. Da mesma forma que uma viagem sempre acaba, estes momentos também, pode demorar, mas vai passar. Carregando a orientação dos iluminados que sugerem para as pessoas se perderem enquanto passeiam, nesta hora lembramos que após um tempo, nos encontramos e seguimos adiante com mais segurança.

Com esta análise, fica muito claro o motivo pelo qual a impossibilidade de locomoção nos causa tamanho prejuízo, ela dificulta aquela nossa constante busca, que existe seja no conforto seja no desconhecido. A busca por nós mesmos. Enquanto não conseguirmos sequer achar que controlamos o começar e acabar dela a qualquer momento, sentiremos a dificuldade. Por isso precisamos lembrar sempre a lição da viagem: são dois prazeres, o de se perder e o de se encontrar.

Por isso amamos viajar. É uma forma de vivermos um pouco mais intensamente determinada passagem de tempo. Afinal, se utilizarmos as viagens como analogia para nossa jornada vivos, podemos dizer que viajar nos interessa tanto porque simula uma outra vida inteira. E fica a experiência, ficam os conhecimentos e a confiança renovada e a sensação de voltarmos para nosso lugar mais fortes. Porque se fizermos certo, nos perderemos, nos encontraremos e nos conheceremos melhor.

Últimas Gustavo Guedes

Cristiano Abreu

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9962 3023
[email protected]

Rafael Martinelli

Editor
[email protected]

Roberto Gomes

Diretor
[email protected]

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS