Segunda, 02 de AGOSTO de 2021

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Crônica

Coluna do Gustavo | Aquilo

Publicada em 21/05/2021 às 00h| Atualizada em 22/05/2021 às 18h23

Até onde podemos confirmar, o ser humano é a única forma de vida que acredita no que não existe. De todos os outros seres vivos, pelo menos por enquanto, temos evidências apenas de acreditarem naquilo que seus olhos podem ver e seus cérebros interpretar. Ao contrário de nós, compulsivos criadores de métricas e convenções e crenças utilizadas para regular, facilitar o convívio e jogar uma luz sobre o inexplicável.

O avanço alcançado pela humanidade é também uma afirmação sobre como somos beneficiados por determos esta capacidade de ter certeza que algo inventado pode causar o mesmo efeito que algo real. Acho uma possível explicação para termos criado leis, desenvolvido conceitos de moral e atribuirmos valor ao dinheiro ser o fato de estarmos programados para aceitar uma presença reguladora etérea.

E tudo isso começou com nossa medida do tempo. Ao dividirmos algo que nem é palpável mas é tão real quanto nossos olhos, órgãos e sentidos podem perceber, encontramos um elo impossível de ignorar entre o fictício e o evidente, possibilitando criar uma cooperação entre ambos. E quando estes mundos trabalham juntos, encontramos um bem sem preço. Pelo qual nutrimos apreço. Algo imaginado, mas perceptível. Pelo menos seus efeitos podem ser sentidos.

Acredito que todos precisamos, no curso de nossas vidas, encontrar este elo. Alguns até já o batizaram de aquilo. “Precisa ter aquilo”, “Ele encontrou aquilo”, dizem. E não, óbvio que não é sobre sexo. Quem fala que sexo é aquilo sabe nada sobre a vida. E mais, sabe nada sobre sexo também. Mas isso é assunto para outro texto. Aquilo é outra coisa. Não é fácil dizer imediatamente para que serve, ninguém precisa mandar fazer. Fazemos na intensidade e quantidade que queremos.

Dinheiro pode ser confundido com aquilo, afinal dinheiro é o tempo inventado pelo homem. Aliás, tempo é dinheiro. Mas há uma diferença entre nosso tempo ter preço e termos apreço pelo nosso tempo. Para as pessoas também funciona. Muita gente tem preço, mas não nutre ou desperta qualquer apreço. Aquilo é uma sensação. Quando nosso tempo está valorizado a ponto de gostarmos tanto do que estamos fazendo e nos perguntarem como não sabemos que horas vamos acabar e a resposta ser, vocês não entenderiam.

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Cristiano Abreu

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